O CASAMENTO GAY DE OBAMA

A decisão é histórica. A Suprema Corte dos EUA derrubou vetos estaduais ao casamento gay, na prática legalizando a união entre pessoas do mesmo sexo para o todo o território americano. A decisão foi tomada por cinco votos a favor e quatro contra, um sinal de que apesar da celebrada conquista, o mundo ainda está muito dividido quanto a igualdade de diretos.

Em pronunciamento, o presidente Barack Obama afirmou que a decisão é uma vitória para a América. “Não importa quem você é ou quem você ama, América é um lugar onde você pode escrever seu próprio destino“, declarou.

A celebração de Obama não é falsa ou oportunista. Desde o seu primeiro mandato como presidente, Obama sempre deixou claro o seu posicionamento a favor da igualdade e apoio ao casamento gay, um posicionamento histórico que lhe garantiu o apoio de ilustres estrelas de Hollywood e generosas doações para a sua campanha de reeleição em 2012.

Na época, escrevi um breve artigo saudando a importância de sua declaração para o diálogo, a conscientização e a evolução dos direitos de liberdade e igualdade. Hoje, muito feliz com a decisão prévia da Suprema Corte dos EUA — prévia pois a medida não entrará em vigor imediatamente, uma vez que Suprema Corte concede ao litigante derrotado a possibilidade de solicitar uma reconsideração — retomo o artigo original como um sinal do meu apóio a decisão histórica.

Em um momento onde a violência e a intolerância se multiplica, a América de Obama mais uma vez surpreende, o amor venceu.

O CASAMENTO GAY DE OBAMA, originalmente escrito e publicado em Maio de 2012.

Em toda a história não houve um único presidente norte-americano que tenha, em exercício, declarado publicamente seu apoio à união de pessoas do mesmo sexo. A declaração de Obama favorável a união gay é um fato é histórico e muito delicado. Por mais que ainda esteja vivendo um momento econômico frágil, lutando por uma recuperação gradual eficiente e segura, em nenhum momento os Estados Unidos deixaram de ser o país mais poderoso no cenário global. Suas ações repercutem em todo mundo, portanto uma declaração como a de Obama reaquece as discussões quanto aos direitos civis globalmente. Em um país onde trinta dos cinquenta estados já decidiram por uma mudança em sua constituição, a fim de proibir uniões homossexuais, uma declaração como essa é capaz de promover uma discussão nacional calorosa, e se você observar que os Estados Unidos vivem um ano eleitoral, tudo se complica em um nível sem antecedentes.

Não existe análise quanto aos efeitos que a declaração de Obama irá provocar. Após sua declaração o candidato republicano Mitt Romney reafirmou seu posicionamento contrário, declarando que o casamento deve acontecer apenas entre um homem e uma mulher.

Por mais delicada que seja, a declaração de Obama acontece tardia. Joe Biden, atual vice-presidente, já havia declarado se sentir absolutamente confortável com a ideia da união gay, assim como o secretário de Educação Arne Duncan respondeu afirmativamente quando questionado se também era favorável, despertando assim, a curiosidade eleitoral quanto ao posicionamento do presidente Obama em relação ao tema.

Após a declaração de Obama, dezenas de artistas, aliados e eleitores promoveram uma onda de agradecimentos por meio de declarações públicas ou via internet. Em uma festa de gala oferecida pelo ator George Clooney, para 150 convidados ilustres de Hollywood, Obama arrecadou 15 milhões de dólares para a campanha de reeleição, um recorde para esse tipo de evento.

Obama sabe que a sua declaração promove uma discussão nacional quanto à liberdade e igualdade de direitos civis, principalmente na posição de presidente de um país onde a maioria dos estados já se posicionou contra a união gay. A base democrata de Obama vê com bons olhos a declaração do atual presidente, mesmo diante de tantos riscos em um ano de campanha eleitoral. Mitt Romney, adversário republicano de Obama, evita discussões calorosas sobre o tema com o receio de ser interpretado como preconceituoso, procurando desviar-se do assunto e focar-se na atual situação econômica norte-americana.

Existem dúvidas quanto aos resultados que serão obtidos devido ao posicionamento de Obama, mas com certeza, a discussão sobre os direitos civis dos homossexuais nunca mais será a mesma. Mesmo para o país mais poderoso do mundo, o tema ainda é delicado. Por mais que a união homossexual já se faz presente na cultura norte-americana, por conta de sua presença expositiva no cinema, na literatura, no teatro, nas produções para televisão e na música, o reconhecimento da aceitação pública demanda uma conscientização sobre o tema e o reconhecimento igualitário dos direitos civis gays.

Obama definitivamente ganhou os votos de uma comunidade que lhe atribuía até então uma simpatia incerta. Sua declaração firmou seu casamento com a comunidade gay norte-americana e com todos os simpatizantes à causa. Eu sinceramente espero que o mundo retome o tema com a atenção e o respeito que lhe é devida. A união gay e todos os demais direitos civis, devem ser reconhecidos e tratados com igualdade para todos os casais, independente da sua constituição de gênero. Resta agora a esperança de que Obama não se esqueça da nova porcentagem de eleitorado conquistado, tratando o tema apenas como uma declaração de manobra eleitoral, sem efeito prático esperado. De qualquer forma, a declaração de Obama definitivamente é um sinal claro de evolução.

Artigo publicado em 27/06/2015.

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