QUANDO ENCONTRO ELA

Lá estava ela. Notável.

Linda, nua, me observando deitada na banheira. Seu corpo escultural submerso revela-se gradualmente, em doses estrategicamente homeopáticas. Era visível o vapor se perdendo pelo ar. Era visível se perder também.

Me aproximo da porta, ela nada fala, apenas observa. Nos comunicamos com o olhar. Fico admirado. Não penso em problemas quando ela está aqui. Não existe nada capaz de me irritar, nada capaz de conseguir estragar o meu dia, pois agora nada importa.

Única. Ela me desperta os mais sinceros desejos, muitos que talvez em sua ausência eu não seria capaz de realizar. Com ela nada é impossível. Não existe perdedor. Não existe porque se importar com o mundo. Deixe tudo como está, e assim como deve ser. Somos todos vencedores, e acredito que assim melhor será o nosso fim.

Movimento. Pouco me importa os frios olhares alheios. A inveja é verdadeira quando nota a nossa condição perfeita. Enquanto eles se contradizem em suas vidas sem sinceridade clara, vamos mergulhar e exorcizar demônios, provar as variações e aceitar propostas sobre o que sonhamos. Somos livres.

Vamos recusar todo egoísmo e todos os mentirosos. Vamos queimar os nossos poucos bens e nos libertar de todas as prisões, seja emocional, espiritual, material ou física. Vamos infligir todas as regras, e assim quem sabe criar novas.

Vamos ter filhos, vamos comprar um cachorro e reescrever um novo começo, onde teremos tempo para viver o que acreditamos ou simplesmente juntos podemos decidir não desejar nada, pois contigo embriaguez, eu posso tudo.

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