O Mineiro do América e as expectativas para a Série B

Independência é uma das principais armas do América na Série B. (Foto: Mourão Panda/América)

O América começou 2017 disposto a não repetir os erros do último ano, que culminaram no rebaixamento da equipe à Série B. A manutenção do técnico Enderson Moreira e a contratação de Ricardo Drubscky para a direção de futebol deixaram os torcedores esperançosos. Após um honesto terceiro lugar no estadual e uma eliminação precoce para o Murici-AL na Copa do Brasil, o Coelho volta todas as atenções para a disputa da Segunda Divisão Nacional.

A organização tática foi o grande trunfo do América nos primeiros quatro meses do ano. Mesmo sem muitas peças de qualidade, o time de Enderson Moreira conseguiu equilibrar a semifinal contra o Cruzeiro durante boa parte das duas partidas. Na zaga, Rafael Lima e Messias, que fizeram um bom campeonato, terão a companhia do experiente Lima, ex-Atlético. Além dele, Renato Justi, que chegou no começo do ano e pouco jogou por conta de uma lesão, negocia a renovação. Nas laterais, Alex Silva, Pará e Auro não convenceram. Enquanto os dois primeiros ainda podem ser úteis compondo o grupo, o terceiro mostrou não ter condições de atuar em bom nível. Dois alas de mais qualidade, portanto, são fundamentais para a Segundona. No gol, o ídolo João Ricardo tem a sombra do experiente Fernando Leal.

No meio, Gustavo Blanco, que pertence ao Bahia, demonstrou muita qualidade. Jogador de bom passe e lançamento, o volante certamente será fundamental no Brasileiro. Blanco, Tony e Gérson Magrão podem compor uma trinca interessante. Apesar de estarem longe de seus melhores momentos, “Talibã” e Magrão têm muitos recursos técnicos e certamente não desaprenderam a jogar. Outras opções interessantes no setor são Ruy, Juninho e Rafael Jataí. Renan Oliveira e Felipe Amorim, que estão em suas segundas passagens pelo alviverde, tiveram inúmeras chances até aqui, mas pouco contribuíram. A contratação de ambos parece ter sido um pedido de Enderson, que trabalhou com os dois nos tempos de Goiás.

Hugo Almeida, contratado para ser sinônimo de gol, não correspondeu totalmente às expectativas e terá a sombra de outro centroavante na segunda parte do ano. Bill, que estava no Figueirense, é o nome mais provável. Os velozes Marion e Mike, apesar de voluntariosos, mostraram pouca qualidade técnica. Um ou dois atacantes de velocidade são de fundamental importância para a sequência da temporada. O nome do colombiano Steve Mendoza, do Corinthians, foi ventilado, mas o negócio ainda não avançou.

Se quiser retornar à Primeira Divisão, o América precisa de reforços pontuais, mas que cheguem para vestir o colete titular. Para isso, a competente “dobradinha” Drubscky-Enderson precisa mapear melhor o mercado em busca de jogadores de qualidade. Não é preciso ficar refém de refugos emprestados por grandes equipes. Foi nos mercados alternativos que o Coelho contratou alguns de seus melhores jogadores recentes. Andrei Girotto, por exemplo, foi recrutado no Campeonato Catarinense, enquanto que Thiago Santos, hoje no Palmeiras, foi contratado junto ao Linense.

Cruzeiro encontrou muitas dificuldades para eliminar o Coelho. (Foto: Mourão Panda/América)

Base

O atacante Matheusinho é a grande joia da base americana na atualidade. Após começar o ano como titular, perdeu espaço com a comissão técnica, que parece ainda não confiar totalmente no garoto. Se melhor trabalhado, o rápido menino pode se tornar importante ao longo do ano. Vale lembrar o caso de Richarlison, alçado aos profissionais por Givanildo Oliveira durante a Série B de 2015 e que logo se tornou titular. Hoje no Fluminense, Richarlison foi, ao lado de Marcelo Toscano, o grande destaque do acesso naquela oportunidade. Além de Matheusinho, Christian e Makton também podem ganhar mais oportunidades no time de cima. Os jovens meio-campistas, quando acionados, tiveram boas atuações e não desapontaram o técnico Enderson Moreira.