Partido de Bolsonaro cresce e ganha mais de 40 mil novos filiados em quatro anos

PSL, que elegeu 52 deputados federais, soma mais de 240 mil filiados em todo o Brasil

O Partido Social Liberal (PSL), que abriga o presidenciável Jair Bolsonaro, líder das pesquisas de segundo turno, é a grande sensação da corrida eleitoral deste ano. A legenda, que a partir de 2019 vai ter a segunda maior bancada da Câmara, com 52 parlamentares, ganhou mais de 40 mil novos filiados entre agosto de 2018 e o mesmo período de 2014.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido do capitão reformado conta com 241.318 pessoas em seus quadros. No pleito de quatro anos atrás, quando fez apenas oito deputados federais, a agremiação possuía 200.601 fichas de registro.

O aumento do número de eleitores filiados ao PSL foi impulsionado, sobretudo, pela chegada do clã de Bolsonaro ao partido, em março. No mês anterior à oficialização da migração do candidato ao Planalto — então no PSC -, eram 227.664 pesselistas em todo o País. Em seis meses, porém, quase 14 mil pessoas ingressaram na legenda.

São Paulo, Minas Gerais e Bahia são os estados com mais filiados ao PSL.

Movimento “pré-Bolsonaro”

Antes da chegada de Bolsonaro boa parte dos diretórios estaduais do PSL era comandado por integrantes do Livres, movimento de orientação econômica liberal, que optou por desembarcar do partido após a filiação do deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Mesmo não fazendo mais parte do PSL, o Livres acabou, de certa forma, contribuindo para a primeira “onda” de crescimento do partido. Os pouco mais de 200 mil filiados de 2014 se transformaram em 225.115 em agosto de 2016, às vésperas das últimas eleições municipais.

Os “puxadores” da onda

São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do Brasil, são dois grandes exemplos do crescimento do PSL. De acordo com o TSE, 44.889 paulistas tinham ligação formal com o partido em agosto deste ano. Em Minas Gerais, os 21.490 filiados pouco antes da eleição presidencial de 2014, agora são 26.421.

Não por acaso, dois dos candidatos com mais protagonismo nos estados concorreram pelo PSL e são muito próximos de Bolsonaro. Em Minas, Marcelo Alvaro Antônio, presidente estadual do partido, foi o deputado federal mais votado. Major Olímpio, comandante do quartel-general do presidenciável em São Paulo, venceu a corrida por duas vagas no Senado.

Enquanto Marcelo somou mais de 230 mil votos — cerca de 2,3% -, os mais de 9 milhões de votos recebidos por Olímpio renderam expressivos 25,8%.

Mesmo em locais onde o PSL tem poucas ligações, como em Santa Catarina (3.033 filiados), o partido conseguiu surpreender. Candidato ao governo, Comandante Moisés cresceu na reta final da disputa e está no segundo turno ao lado de Gelson Merísio (PSD).

Chegada de Bolsonaro deu “impulso final” às pretensões do PSL. (Foto: Alex Fernandes / Ag. Câmara)

Saiba Mais

No G1, Felipe Grandin destaca o fato de o PSL ter sido o partido que mais recebeu votos na eleição para o legislativo nacional.

O Estadão procurou especialistas para entender como o crescimento do pesselismo está relacionado ao “fenômeno Bolsonaro”.

Após levantamento, a Agência Estado descobriu, ainda, que os 52 deputados eleitos pelo PSL farão o partido ter direito à maior fatia do Fundo Partidário, cujos recursos são destinados à manutenção das legendas.

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Talita Abrantes, da Exame, foi atrás dos Livres para entender como a chegada de Bolsonaro ao PSL levou à saída do movimento.

A chegada de Jair Bolsonaro ao partido provocou algumas mudanças. Eleito deputado federal, Luciano Bivar, que presidia a legenda até março, se licenciou do cargo, mas quer retomar o controle do partido e pensa em presidir a Câmara.

O PSL mineiro, que não tinha representação na Assembleia Legislativa, elegeu seis parlamentares e passa a ser a quarta maior bancada da Casa.