
Se eu pudesse ser qualquer coisa;
Seria o instante e não a plenitude;
Seria a sinapse, e não o ato
Se eu pudesse ser qualquer coisa
Seria a fúria, e nunca a calmaria;
Seria atalho e não caminho
Seria espaço e não o tempo
Seria pergunta e não resposta.
Seria inverno, severo inverno!
Se eu pudesse desejar qualquer coisa,
Desejaria ser o êxtase do mais ordinário cotidiano
Eu o seria à flor da pele, entre amor e o desejo
Entre a partida e a chegada;
Eu seria o intervalo;
Transformaria-me nos milésimos
Entre o estender dos braços e o abraço
Fragmentado no instante.