Um estranho no ninho. A chegada na Índia e primeiras impressões.

Fui muito incentivado no LinkedIn por pessoas da minha rede (e algumas que nem são dela, outras que nem conheço, mas que deram apoio), a escrever sobre minha experiência de 1 ano vivendo e trabalhando na Índia, e as diferenças entre os dois países, em âmbito cultural, carreira, clima, política, etc.

Lembrando que morei em Chennai, maior cidade do Sul da Índia, sexta maior cidade indiana em termos de território, e quarta maior em número de habitantes. Logo, minha visão será sobre essa cidade em específico, que tem a cultura indiana mais enraizada do que a grandes capitais como Delhi e Mumbai que já são um pouco mais “modernas”.

Nesse meu primeiro texto pretendo contar um pouco de como foi a chegada na Índia e minhas impressões iniciais sobre o país.

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Desci no Aeroporto Internacional de Chennai. Aeroporto pequeno, mas bem estruturado. Porém com uma grande concentração de pessoas por m² (o que já era de se esperar).

Me senti a pessoa mais estranha do mundo.

A aparência e jeito de se vestir indianos são totalmente únicas e características. As roupas de mulheres são coloridas e cheias de apetrechos. A “moda” brasileira é muito diferente da indiana.

Aeroporto de Chennai — Baggage Claim Area

Chennai não é uma cidade muito turística, logo, não há um grande número de estrangeiros. Era fácil perceber que as pessoas me olhavam como se eu fosse alguém diferente. Isso acontece, em certa escala, em qualquer lugar do mundo, mas pela pouca quantidade de turistas visitando Chennai acredito que isso foi mais acentuado.

Chegando na imigração, a primeira coisa que percebi foi que a comunicação no início seria algo difícil, a maioria das pessoas ao meu redor estava falando em uma língua que eu não compreendia nada.

Em um inglês quase impossível de entender, para alguém acostumado a ver filmes e séries americanas, o agente de imigração me fez algumas perguntas. Após alguns (muitos) pedidos para que ele repetisse consegui enfim compreender as perguntas e responder. Ele checou meu passaporte e disse para prosseguir.

Finalmente passando a imigração fui sair do aeroporto.

Primeiro ponto que senti diferença, uma enxurrada de motoristas de tuc tuc queriam que eu fizesse a viagem com eles. Me paravam um atrás do outro, já vendo pela cara de estrangeiro que iriam faturar uma boa grana (sem brincadeira, pelo menos uns 20 me pararam, alguns inclusive puxando pelo braço, o que era extremamente irritante).

Famosos Tuc Tuc, ou como chamam na Índia “auto”.

Pena para eles que uma pessoa já me esperava no lado externo, era o Bharath, pessoa responsável pela minha chegada, que virou grande amigo meu, e que também estava acompanhado de outro amigo de carro. Ele também era responsável por me levar até minha acomodação.

Bharath é essa figura do cabelão, segundo da direita para esquerda

Coloquei as malas correndo no carro do amigo do Bharath, e dei graças a Deus que consegui sair do aeroporto lotado e dos pedidos de “Where Going, Where Going?” dos motoristas de Taxi e Tuc Tuc.

No meu caminho até o apartamento outra coisa me chamou muito a atenção.
 O barulho de buzinas.

Era cerca de 3h da madrugada, e não tinham muitos veículos na rua. Mesmo assim era comum ouvir a buzina dos poucos carros e motos que passavam. Quando o amigo do Bharath começou a buzinar para outro carro que estava cerca de 200m a frente eu o perguntei.

- Hey, É sempre assim? Porque tantas buzinas?
- Isso é para avisar o outro motorista que tem carro perto.
- Mas ele não vai ver no espelho?
- Aqui é normal a buzina, você vai perceber no dia a dia que se não buzinarmos terão vários acidentes.

Mais pra frente eu aprendi que realmente, os carros que não utilizam a buzina lá não são vistos. Acho que pela cultura já ficou tão comum o barulho da buzina que é normal eles usarem esse barulho para se guiarem. Pasmem, não é difícil encontrar carro sem espelho retrovisor, cansei de pegar uber que não tinha. Meu pensamento inicial era “ferrou”, mas sempre chegava são e salvo.

Lá eles dizem, se você consegue dirigir na Índia dirige me qualquer lugar do mundo. Realmente, os motoristas tem que ser muito bons pois achei mais difícil de encontrar acidentes de trânsito que no Brasil.

E assim foi no bip bip até chegar no meu apartamento.

Aprenda a valorizar o silêncio, tem coisas que só damos valor quando somos privados delas.