Artista ok lança hit previsível falando sobre si mesmo com clipe caríssimo; entenda

“I’m sorry, the old Taylor can’t come to the phone right now.”
“Why?”
“Oh, ’cause she’s dead!”

Durante esse fim de semana a internet quebrou. Tipo, quebrou mesmo, ficou zoadassa. Estava eu rolando minha timeline para baixo quando vejo um post: “Sonzera da Porra!”. Fui checar e era o novo hit da Taylor Swift.

Para quem não sabe, a Taylor Swift era uma cantora country adolescente nos anos 2000, que mais ou menos na época do farmville resolveu ir além e fazer umas coisas com uma pegada mais pop afim de nos atualizar periodicamente sobre como estão seus relacionamentos, sua vida, etc. Desde então tem feito coisas incríveis tipo ganhar o Grammy naquele ano em que “Drones” do Muse conseguiu ganhar como melhor album de rock, já que dane-se.

Cliquei. Começou uma introdução fodástica de um lyric video (a última invenção do ser humano para fazer uma música parecer melhor do que é. Começou quando os próprios clipes oficiais das músicas já não surtiam mais efeito). O Lyric video me ganhou nos primeiros segundos. A introdução com uns violinos assustadores e um pianinho enigmático, junto com algo que parecia os créditos iniciais de um episódio da Pantera-cor-de-rosa me chamaram a atenção, sem sacanagem.

“I don’ like your ~littou~ game”, “but I got smarter, I got harder”, “I got a list of names and yours is in red underlined”. Badass.

Nesse mesmo dia, no qual provavelmente eu tinha bastante tempo livre, me deparei com três coisas sensacionais:

1- Um comentário específico que dizia algo sobre ela ter deixado de ser princesinha e virado um mulherão da porra.

2- Todo o caso do “sample” do Right Said Fred (I’m Too Sexy), em meio a posts como “‘Look What You Made me Do’ is basically ‘I’m Too Sexy’” ou dizendo que o Right Said Fred “co-escreveu” o hit. Acontece que: não tem sample! Basicamente Taylor acabou cantando um refrão no mesmo ritmo do não-refrão de um hit eurotrash de 25 anos atrás! Tudo explicado nessa matéria da revista da família Gallagher, NME.

3- Uma segunda pessoa, dessa vez um jornalista (de uma certa página de variedades da internet que teve origem num fanzine dos anos 90), referindo-se ao hit como “sonzeira”, comparando com a Britney Spears (por onde anda?) da década passada. O que eu mais gosto é do fim da matéria que diz, pasme: que vai ser interessante notar esse renascimento da diva pop (nesse ser mega avant-garde e urban conceitual que surgiu nesse momento) “ESPECIFICAMENTE DURANTE A ERA TRUMP”!!!111


Para finalizar o caso, ontem, ou anteontem, sei lá, foi lançado o clipe real oficial da música. Desde aquele curta-metragem com o Mads Mikkelsen e a Rihanna no qual fica tocando “Bitch Better Have My Money” no fundo o tempo todo, eu não subestimo o poder da combinação clipe caro + música mais ou menos. Então já fui preparado para um jogação de dinheiro, bailarinos e vfx na cara.

Imagens aéreas de um lugar ermo, frio e escuro. A névoa paira no ar. Uma capela lá embaixo. Aquela música assustadoramente bonitinha do lyric video no fundo. Seria mais um video da Monster High? Veremos. Em meio a corvos, coisas caindo do céu e outras coisas de cemitério, se você olhar bem de perto vai perceber que numa lápide encontram-se os dizeres “Here Lies Taylor Swift’s Reputation” numa espécie de auto-crítica, ora “tadinha” ora “I Don’t Give A Damn ‘bout my Bad Reputation”. Destemida!

Para quem não sabe, isso tem algo a ver com a pessoa rica Kim Kardashian ter exposto (adoro esse termo) o audio de um telefonema entre Taylore Kanye West no qual ela concorda com um verso em que o Kanye diz algo escrotaço sobre ela, naquela música cujo clipe o mostra dormindo com um monte de bonecos infláveis de famosos, incluindo o de Josh Trump Homme. Destemido!

Taylor sai do túmulo em forma de zumbi, e eu, com medo de ser uma referência a “Thriller” quase desisti, mas segui em frente. Segundo Hugo Gloss, na verdade é uma referência a The Walking Dead, série que; como seus personagens, eu vendo o clipe, e a reputação de Taylor Swift; resolveu seguir a vida mesmo depois de morta. Semiotics, right?

Em seguida, Taylor segue fazendo o que as pessoas ricas fazem, tipo mastigar pedras preciosas, tomar chá servido por cobras (alô, PETA), e dirigir um carro caríssimo alcoolizada, resultando num acidente grave enquanto exibe seu Grammy para fotojornalistas. Oh!

Mais tarde, depois de assaltar um banco enquanto cantava a paródia de “I’m Too Sexy”, Taylor volta à sua mansão/palácio cercada de criados não tão brancos quanto a patroa que se transformam em bailarinos! CLARÍSSIMA referência ao clipe de “Beijinho no Ombro” de Phoebe Popozuda Buffay, com a diferença de que esse é um hit legítimo.

No fim do clipe Taylor fica em frente de um Tezão verde neon enquanto suas antigas personalidades tentam inutilmente pedir por misericórdia e Taylor finge nem as ouvir. Basicamente a cena que eu imaginava toda vez que alguém postava coisas do tipo “se você me conheceu antes de 2012, me desculpa kkk”. Ao persistir os sintomas, procure um médico.

E aí vem minha parte favorita, olha só:

Como se a situação já não tivesse explicada, bem explicadinha mesmo. Já que claro, semiótica não é pra qualquer um. Caso você ainda não tenha sacado que a Taylor Swift antiga morreu e agora está dançando “I’m Too Sexy” num cemitério das Monster High.

Taylor atende um telefone.

A música até entra em BG se eu não me engano.

Ela atende o telefone e diz: “I’m sorry, the old Taylor can’t come to the phone right now.”

“Why?”

.

.

.

“CAUSE SHE’S DEAD!”

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA


Bom, a temática “A princesinha que eu era morreu” pode ter dado certo em casos como o da Avril Lavigne (teria se ela não estivesse morta), mas deu meio errado em casos como o da Miley Cyrus. O certo é esperar o tempo agir para sabermos o futuro de Tay Tay. Especificamente na era Homme-Trump.