Primavera

Eu era flor

Flor sendo, desabrochei

E, pétala por pétala, desmanchei

O frio de dentro corroía o fazer

E, pétala por pétala, congelei

E tudo ficava cinza

Sopro de reflexão

Sem acalento ou zêlo

Foi quando uma nova Primavera surgiu

E o frio assustou-se,

Pétala por pétala, ressurgi

O sentido tomei como base

Meus sentidos todos despertos

Até quando duraria a estação?

Teria as cores, os amores?

As nuances que pintavam o horizonte?

Foi então que o verão se fez rocha

E o sol já brilhava no zero grau

Era o canto dos pássaros

Era o sorriso de orelha a orelha

Tão ingênuos eram os tempos

Pétala por pétala, calor absorvi

Hoje, numa cama maior que eu mesma, sinto o inverno,

Os arrepios e as tantas memórias.

Os espinhos.

As pétalas retiradas de mim

As outras já maduras

Minha nova arquitetura

Minha nova estrutura

As novas cores

Juízos novos

Resignificando o velho eu

Pétala por pétala, um constante renascer.

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