Meus 10 quilos a menos e a busca pela longevidade.

Eu não sei você, mas eu não quero só envelhecer, eu quero ter saúde e viver estes longos anos sem precisar de muitos cuidados. Quando suas referências de familiares idosos não passaram da casa dos 60 anos você começa a se preocupar. E aí uma coisa leva à outra.

Eu tenho 40 anos. Aos 34 anos perdi meu pai, ele tinha exatamente 60 anos. Sim, muito jovem. Ele adoeceu de várias formas, resultado de uma vida indisciplinada. Naquele ano, 2012, eu tinha 34 anos e todo mundo brincava comigo sobre eu ser gulosa, eu sempre comi de tudo, e sempre comi muito bem. O estresse ocasionado por sua morte resultou numa mudança drástica no meu metabolismo, e eu repentinamente engordei 10 quilos. Eu sempre comi bastante e tinha um metabolismo incrível, era a famosa “magra de ruim”, de quem todas as amigas sentiam inveja. O que eu mais ouvia era: “Para onde vai tudo isso?”.

Com então 60 quilos (1,64cm), ossos muito pequenos, eu me vi num corpo irreconhecível, de contornos deformados. Só uma mulher com excesso de peso sabe o que ele faz pela sua autoestima. Estava começando minha saga em busca do corpo saudável que eu tinha antes. Eu sei que 60 quilos é o sonho de muita gente, e vamos combinar uma coisa aqui, eu não digo que 60 é muito pra você e você não diz que 60 está bom pra mim, ok? Cada um sabe o que é bom pra si. E não, não era um corpo de 60 quilos nem bonito, e nem saudável. Eu não estava “gostosa”. A celulite vinha até os joelhos, sensação de cansaço, colesterol alto.


O caminho para a solução…

No meio do ano seguinte, 2013, depois de passar por uns 10 profissionais entre endocrinologistas, nutricionistas, ginecologistas, tomar todos os remédios disponíveis no mercado para emagrecimento e fazer várias dietas, eu procurava por um plano alimentar que realmente funcionasse. Encontrei a Dieta Dukan do Dr. Pierre Dukan, era conhecida também como a Dieta da Princesa (por que a duquesa Kate Midleton foi sua paciente) e também como Dieta da Proteína.

A dieta é bastante restritiva, mas dada uma característica específica, ela se torna completamente viável. Comer à vontade. Como alguém que havia passado mais de 30 anos comendo uma grande quantidade podia se adaptar de repente às pequenas porções? Numa dieta com uma lista de alimentos permitidos em que em podia comer a quantidade que eu quisesse, até me sentir totalmente saciada, eu passei 1 ano. Perdi 7 quilos. Passei a fazer exercícios regularmente e abandonei todos os hábitos ruins. Reduzi o consumo de álcool, aboli o açúcar e os carboidratos simples.

Depois de algum tempo, além de as proteínas proporcionarem sensação de saciedade, a repetição das refeições contribui para uma diminuição significativa do apetite. E parece que algumas coisas entram no eixo. Outras, nem tanto…

Conheci nesse processo uma inimiga sabotadora chamada “Compulsão alimentar”. Essa “coisinha” é conhecida por aparecer justamente nessas situações, longos períodos de dietas restritivas. E lidar com ela, não foi (e não é) nada fácil. Mas conhecê-la não foi de todo ruim, uma vez que me levou à próxima fase deste processo. Minha busca pelo que chamamos de “Food Freedom”.


Uma nova descoberta, novos caminhos

Em 2014, faltavam 3 quilos. Eu tinha reinserido as frutas na minha alimentação e aos finais de semana eu me permitia ocasionalmente tomar bebidas alcoólicas e comer uma “besteirinha”. Mas não tinha sensação de missão cumprida, faltavam 3 quilos! Ouvi falar sobre Jejum Intermitente, e comecei a ler o livro “A Dieta dos Dois Dias”.

A Dieta dos Dois Dias, não é uma dieta! Que nome inoportuno! Porque não se trata de comer, se trata de não comer! O livro elucida muitas questões científicas em torno do jejum. Fala de longevidade, saúde e é suficientemente esclarecedor para você não fazer nenhuma outra dieta na vida. Me aprofundei bastante no assunto.

Dr. Michael Mosley “A Dieta dos Dois Dias”

O Livro do Dr. Michael Mosley, relata estudos científicos em que ratinhos submetidos aos jejum intermitente viveram muito mais que os outros. E ele próprio ao fazer jejuns devidamente monitorados viu suas taxas de IGF-1 caírem pela metade (o IGF-1 é um hormônio ainda em estudo, no qual há muito tempo se pensava ser apenas um intensificador dos processos de crescimento dos tecidos, mas estudos relatam a possibilidade de potencializar o câncer).

Além de todas as pesquisas demonstradas no livro do Dr. Mosley, há também estudos e informações muito interessantes descritos pela Dra. Stephanie Estima (em inglês).

Basicamente:

  • Acelera o metabolismo. Por quê? Por que nossos ancestrais caçavam, faziam uma refeição muito farta proveniente da caça e em seguida passavam por períodos de escassez. Se seus níveis de energia baixassem, eles morreriam, por que estavam caçando.
  • Aumenta a resistência a insulina. Por quê? Por que ao privar seu corpo de açúcar ou qualquer outra fonte de energia (alimento) que possa ser convertida em glicose, não haverão descargas de insulina na corrente sanguínea.
  • Melhora sua composição corporal. Por quê? Por que as mitocôndrias, estruturas que convertem energia nas nossas células, não encontrando glicose disponível, num primeiro momento irá utilizar o glicogênio (o estoque de glicose armazenado no fígado e nos músculos), e em seguida irá utilizar seus depósitos de gordura. Detalhe: isso também quer dizer que você está emagrecendo!
  • Previne Alzheimer e mal de Parkinson. Por quê? Por que a energia advinda da gordura é mais benéfica para o cérebro do que a glicose. Trata-se de uma energia estável, diferente da glicose, que causa confusão mental e oscilações de humor.

Depois de tudo isso, eu cheguei a conclusão de que mesmo que não precisasse perder mais nem 1 quilo, o jejum ainda faria parte da minha vida. Os 3 quilos que faltavam se foram, numa velocidade inacreditável.

E sobre a prática de jejum, não é fácil no começo. Ah, não mesmo! Não vou mentir. Houveram dias em que foi difícil até olhar para a estampa de morangos da toalha da mesa de jantar (sério!). Além disso, a gente não sabe o que é fome de verdade, nem eu sei ainda. Fome de verdade experimenta alguém que foi para a guerra, alguém que mora na rua. E então muda sua relação com a comida, o que ela significa pra você e o quanto você resiste ã ela, ou não recorre à ela no caso de precisar de algo “terapêutico”. Isto é Food Freedom. Eu me libertei da comida. A função dela é me fazer saudável, é me alimentar e é uma delícia também não se privar dela ou vez ou outra ter contato com sabores com os quais tive uma relação afetiva (especialmente comidinhas da infância). Mas hoje, não é mais uma relação afetiva.

Nos ensinaram a comer a cada 3 horas, o marketing dos fabricantes de petiscos nos incitam a comer o tempo todo. Mas não é saudável.

O jejum além de todo o bem que tem feito pela minha saúde corporal, ainda tem fortalecido minha mente, meu espírito. Você entende de uma vez a diferença entre fome e vontade.

“O jejum periódico pode ajudar a esclarecer a mente e fortalecer o corpo e o espírito.” — Ezra Taft Benson

Além do jejum, tudo mais mudou, o que eu como, como eu como e quando como. Medito enquanto como, me alimento conscientemente (lugar de celular não é na mesa) e bebo litros e litros de água. Minha saúde está melhor, minha pele, minhas unhas, é visível. Minha alimentação tem agora menos proteínas e uma base vegetal, e estou fazendo um protocolo de jejum. Por que também já fiz muito jejum aleatoriamente, sem protocolo nenhum (o que sinceramente? se funcionar pra você, é o que interessa). Apenas observe, que para períodos acima de 24 horas, você irá necessitar de acompanhamento médico. ; )

Aprendi com tudo isso, e ainda tenho aprendido, a amar o corpo que ocupo e cuidar melhor dele, por que eu quero viver mais. Mais e melhor. Aqui, menos também é mais.