Sobre a crise

(Só para deixar claro, este não é um texto sobre política!)

Estamos vivendo uma época de vacas magras- como diria minha avó.

Sou viciada em requeijão, num belo dia ele está a 3,50 e no outro lá está ele por 4,50. Logo penso- que droga, porque não comprei mais antes?

Pois é chateia a gente comprar pouco e gastar muito, não gostamos de passar vontade…e a palavra do momento é economizar. Diferente de 2010, 2011 que a palavra era esbanjar.

Lá naquela época que agora lembramos nostálgicos comprávamos sem pensar duas vezes, a construção estava no auge, as grandes marcas de moda ganharam fortunas, lojas de decoração nunca venderam tanto, carros foram vendidos de montão….O ideal de vida norte americano nunca esteve tão perto da gente como naqueles anos.

Tudo mudou.

Pois bem, moramos em um planeta que é nossa ilha, portanto vivemos com recursos limitados, nem nosso ar é infinito e de verdade esta “crise” que passamos veio para ficar.

Ecologicamente e energeticamente é inviável voltarmos a consumir como consumíamos. E economizar NUNCA poderia ter saído de nossa rotina.

Deve ter gente aí pensando: E agora, ferrou de vez?

Não, não ferrou! Esta crise é um novo pensar, é um ajuste de rota! É a possibilidade de construirmos um mundo melhor. De fazermos diferente e esta é mais ou menos minha opnião abaixo.

Com certeza ainda teremos um tempo de desemprego, por enquanto quem ganhava muito vai ganhar médio, quem ganhava pouco vai ter que rebolar para continuar ganhando o mesmo tanto, quem ganha muito muito mesmo provavelmente vai continuar ganhando muito muito( isso demorará um pouco mais para conseguirmos).

Mas repense seu trabalho e como ele pode ser sustentável nesse o interím. Em pouco tempo trabalhos que não se tornarem sustentáveis vão simplesmente virar passado.

Daqui pra frente surgirão novos empregos e se tudo der certo, nichos que estavam apagados reaquecerão e oferecerão empregos novos.

Por exemplo as ferrovias, tudo relacionado ao crescimento do transporte público tende a melhorar. Outros mercados potenciais são os relacionados a consertos: oficinas mecânicas, costureiras, marceneiros que repaginam móveis, entre outros.

Afinal quando poupamos arrumamos o que já temos. Nesse contexto exigiremos do mercado durabilidade, chega de obsolência programada.

Brechós e lojas móveis usados estão virando moda. As pessoas estão se aventurando comprando comprando bens que não sabem por onde passaram, itens com história.

Haverão negócios relacionados a compartilharmos bens.

O lixo terá que ser visto como um novo mercado, pois tem muito dinheiro sendo jogado fora literalmente.

Neste tempo de crise o ideal seria quem vive guardando, fazer o dinheiro girar, botar esta energia circulando. Guardar dinheiro que daria para até a futura sétima geração ser rica é garantir que pelo menos a terceira futura geração viverá muito mal, pois com a desigualdade gigante de renda o medo é proporcional.( só tende a piorar) sin

E mais, o pobre tem que deixar o sonho de ser milionário, a classe média ganha uma graninha e já quer ostentar. Não é legal a super- acumulação.

Temos que mudar como encaramos o que é ser bacana. Quando eu era pequena sonhava em ter uma mansão, agora sonho mais com uma ecovila. Uma casa de um tamanho justo, espaço de terra compartilhado e dividindo o lazer.

Vale assistir o documentário” I am “, tem no Netflix. ( é incrível)

A quantidade de pessoas tomando antidepressivos e entristecidas é o reflexo de uma sociedade doente, de um sistema que não está legal. Porque para sermos felizes precisamos de uma casa confortável, trabalho, lazer, amizades, amor, saúde e paz. Tão simples e tão difícil.

Mais do que perceber pontos positivos na crise, este texto é um alerta para você que está aí esperando boas novas da economia para ganhar o que já ganhou anos atrás. Acho bem difícil isso acontecer, mas mais do que isto, se algum novo presidente entrar e fizer alguma manobra econômica para que o estilo de vida norte americano de excessos de consumo e residências gigantes e luxuosas voltem a esbanjar por aí, desconfiem e esperem uma outra nova crise que não tardará e será ainda mais assustadora.

A crise que passamos tem o buraco mais embaixo, ela é o colapso dos excessos e da superficialidade. Esta é uma viagem minha, mas vale pensar com carinho.

Giselly Coutinho

Formada em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo

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