2020 não foi fácil pra ninguém. Principalmente pra quem mora nas favelas e periferias do Brasil. Somos muitos e seguimos carregando nas costas o peso das desigualdades de um país com vícios e operações coloniais. Durante esse ano pandêmico, o data_labe olhou ainda com mais cuidado para as relações entre gênero, raça, classe e território, sempre dedicado a levantar, analisar, cruzar, visualizar dados para ajudar na construção de uma democracia de fato.

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Equipe data_labe 2020

Em 2020 trabalhamos como nunca. A equipe dobrou de tamanho e a produção de reportagens aumentou 160%. Como de costume, fizemos uma série de parcerias que permitiram que a gente fosse mais longe. Publicamos reportagens nas revistas do UOL, no Maré de Notícias e na Elástica. Nos juntamos a Gênero e Número, Revista Azmina e Énois numa cobertura focada nas desigualdades evidenciadas pela pandemia do Coronavírus. …


Está mais difícil reconhecer-se cidadão quando as instituições se distanciam das pessoas comuns.

Passamos por uma profunda movimentação política no Brasil. As estruturas sociais estão abaladas e a sensação de insegurança física, econômica e emocional atingem partes distintas da população. Está mais difícil reconhecer-se cidadão quando as instituições — as públicas e as representantes diretas do capital — se distanciam das pessoas comuns. As narrativas construídas em torno dos dados no país são um exemplo desse distanciamento.

Por um lado, as corporações de tecnologias, que empreendem aplicativos para quase tudo o que se queira resolver no cotidiano, estão perdendo o véu da inovação e ganhando papel de vilãs: quanto mais sabemos os usos perversos que dão às informações que cedemos sem qualquer preocupação cívica (coletiva ou individual) mais vulneráveis nos sentimos. Para entender um pouco esse processo, os exemplos mais contemporâneos e contundentes são as reportagens da coletânea Chupa Dados da Coding Rights. …


O ano de 2020 trouxe muitos desafios relacionados aos serviços de saneamento básico nas favelas do Complexo da Maré. Fica cada vez mais evidente que o acesso à água potável, esgotamento sanitário e coleta de lixo são medidas básicas eficazes na garantia de saúde e qualidade de vida para os moradores.

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Vila dos Pescadores da Maré, às margens da Baía de Guanabara. Foto: Patrick Mendes

A Maré é historicamente um lugar onde as moradoras e moradores lutam pelo acesso a direitos. Em 2020 a articulação em tornos das pautas de saneamento ganha um novo capítulo com a atualização da Carta de Saneamento, que chega a 2ª versão em meio à pandemia.

A Carta traz recomendações coletivamente construídas entre moradores, ativistas ambientais e especialistas, com objetivo alcançar as mãos das candidatas e candidatos à prefeitura da cidade nas eleições municipais de 2020. A carta faz parte da Agenda Rio 2030 da Casa Fluminense e é um elaboração do Cocôzap.


Por Clara Sacco e Gilberto Vieira

É difícil falar de 2019 sem acessar as bizarrices que vivemos como sociedade democrática neste ano que passou. É difícil não ressaltar apenas as violações, os malfeitos, os maus tratos. Tentaremos ser leves ancorados, como sempre, nos aprendizados ancestrais: numa visita a Casa de Cultura Thainã, fomos apresentados fisicamente aos Baobás. Sua presença nos acompanha há algum tempo. Eles fazem parte da tradição milenar africana e representam toda resistência. São árvores gigantescas que vivem muitos e muitos anos em situações adversas. Como pode uma semente tão pequena se tornar uma árvore tão poderosa? Os Baobás representam na sua cosmogonia, a conexão entre o mundo sobrenatural e o mundo material. Eles são a presença do que não se vê. Para passar pelo 2019 foi preciso entender os não ditos, os processos, os tempos. …


O Segundo Encontro do Saneamento da Maré aconteceu no último fim de semana, nos dias 7 e 8 de dezembro, com a presença de moradores, organizações e governo. A ideia é construir uma agenda coletiva para o saneamento básico na Maré com vistas a incidir em diversas favelas da cidade. Fotos: Eloi Leones

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O bonde que esteve no 2º Encontro de Saneamento da Maré

O primeiro Encontro aconteceu em abril de 2019 na Lona da Maré. Um dos resultados da atividade, além de um mutirão de construção de um canteiro nas beiradas do valão da Divisa, foi a escrita coletiva de uma carta com reivindicações acerca de 4 temas centrais: esgoto e Baía de Guanabara, abastecimento de água e manejo de água pluvial, Lixo e segurança pública e saúde e bem estar. …


Documento elaborado a partir do Encontro Saneamento da Maré de abril de 2019

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foto: Thais Cavalcante

Este documento apresenta de forma resumida e objetiva, um diagnóstico das demandas prioritárias acerca do saneamento básico do Complexo de favelas da Maré. A carta foi elaborada a partir do Encontro Saneamento da Maré realizado no dia 13 de abril de 2019 na Lona Cultural Municipal Herbert Vianna. …


Levanta a cabeça, princesa!

Entramos no terceiro ano do data_ com uma certeza: seríamos uma organização formal da sociedade civil. A experiência no Laboratório para Estruturas Flexíveis da Casa do Povo serviu de confirmação para um desejo latente: precisaríamos experimentar também modelos de gestão para disputar o lugar que gostaríamos: com incidência política, metodológica, narrativa e estética no mundo.

Trabalhamos na virada do ano. Entre videoconferências e planilhas, nós produzimos a residência Minas de Dados em parceria com o Olabi e a Transparência Brasil para que cinco mulheres negras refletissem com a gente sobre dados, tecnologias e governo aberto. Foi um sucesso porque começamos a tecer uma rede hoje fundamental para a história do data_. …


Um projeto de de transformação a partir de dados gerados por cidadãos.

Por Gilberto Vieira, Inês Gortari e Vitor Mihessem
Atualização do texto originalmente publicado em
civicus.org.

No fim de 2016, nós, representantes da Casa Fluminense e do data_labe, começamos a desenhar um projeto em conjunto — o Cocôzap. A parceria começou a partir da conquista do primeiro DataShift Community Seed Funding Challenge, proposto pela Civicus. A proposta enviada buscava unir dois conceitos globais — Geração Cidadã de Dados (GCD) e Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). …


Por Clara Sacco e Gilberto Vieira

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Narra é um movimento de jovens jornalistas de favelas.

Para nós do data_labe esse é um sonho antigo. Há dois anos começamos a construir um projeto de formação em jornalismo para jovens de favelas do Rio de Janeiro em parceria com o Observatório de Favelas. Os parâmetros para a projeção da escola seriam diversidade e jornalismo de qualidade.

Nesse meio tempo muita coisa aconteceu: o data_labe se tornou uma organização autônoma, os métodos de escrita, apuração jornalística e trabalho com dados ficaram mais fortalecidos, a parceria com o Observatório se transformou. Foi também no meio desse turbilhão de mudanças que conhecemos a Escola de Jornalismo da Énois, hoje nossa principal referência de formação em jornalismo no Brasil. A Escola da Énois está focada em promover diversidade nas redações e agências de comunicação. …


Está mais difícil reconhecer-se cidadão quando as instituições se distanciam das pessoas comuns.

Passamos por uma profunda movimentação política no Brasil. As estruturas sociais estão abaladas e a sensação de insegurança física, econômica e emocional atingem partes distintas da população. Está mais difícil reconhecer-se cidadão quando as instituições - as públicas e as representantes diretas do capital - se distanciam das pessoas comuns. As narrativas construídas em torno dos dados no país são um exemplo desse distanciamento.

Por um lado, as corporações de tecnologias, que empreendem aplicativos para quase tudo o que se queira resolver no cotidiano, estão perdendo o véu da inovação e ganhando papel de vilãs: quanto mais sabemos os usos perversos que dão às informações que cedemos sem qualquer preocupação cívica (coletiva ou individual) mais vulneráveis nos sentimos. Para entender um pouco esse processo, os exemplos mais contemporâneos e contundentes são as reportagens da coletânea Chupa Dados da Coding Rights. …

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