É golpe ou não é… Em sete perguntas…

O depoimento de Dilma a Rosa Weber…

E não é que a cara de pau dos golpistas, realmente, não tem limites?

Analisem os seguintes excelentíssimos deputados:

Claudio Cajado (DEM-BA): acusado de corrupção eleitoral e falsidade documental desde 2004 e em 2013, é autor do projeto que pretende censurar videos e textos na internet que falem mal de políticos como ele;

Julio Lopes (PP-RJ): alvo de inquérito no STF que apura apropriação indébita previdenciária;

Rubens Bueno (PPS-PR): sob inquérito do MP por improbidade e esquema de caixa 2;

Antônio Imbassahy (PSDB-BA): acusado de superfaturamento no metrô de Salvador em 99, tendo recebido doação de empresa investigada na Lava-Jato;

Pauderney Avelino (DEM-AM): condenado a devolver desvios de R$ 4,6 milhões;

Paulinho da Força (SD-SP): acusado pelo STF de ser beneficiário de esquemas de desvio de recursos, condenado por improbidade, réu por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Todos esses seres de currículos extensos (ficha corrida ficaria melhor) entraram com uma peça junto ao STF solicitando que Dilma explicasse a tese de que ela estaria sendo alvo de um golpe no processo de impeachment. Exceto pelo fato de que é bizarro por si só qualquer cidadão ser julgado por pessoas que respondem processos, acusações e inquéritos na justiça, penso que será uma oportunidade única de se esclarecer os motivos pelos quais, não só a Dilma, mas uma série de juristas, artistas, jornalistas nacionais e internacionais, intelectuais e políticos também pensam da mesma forma.

Imagino como seria ou poderia ser as respostas de Dilma. Ela poderia responder fazendo certas perguntas, alias:

- Rosa Weber: convocamos aqui a Sra. Excelentíssima e afastada Presidenta da República para explicar os motivos pelos quais ela tem usado o termo “Golpe” para designar o processo que a afastou de suas funções de presidente.

- Dilma: Boa noite. Elenco 7 perguntas que talvez sustentem o que venho dizendo em coro com muitas pessoas:

1. Depois de vários pedidos de Impeachment encaminhados à Câmara, não parece suspeito que o Presidente Eduardo Cunha só tenha aceito quando meu partido apoiou a instauração do processo contra esse senhor no Conselho de Ética?

2. Diante da falta de consenso na interpretação jurídica de que as tais pedaladas sejam uma operação de crédito ou mera postergação de pagamento, não deveriam ter consultado o STF antes de convocar a votação?

3. Quantos deputados que votaram “sim” para a admissibilidade do processo justificaram seu voto a partir do objeto a ser julgado?

4. Quantos deputados que justificaram seu voto “sim” com base no combate à corrupção são alvo de processos variados julgando alguém do qual não pesa sobre si nenhum tipo de acusação desse tipo?

5. Mesmo que a palavra “golpe” tenha em seu histórico a tomada violenta do poder do Estado, seu significado também não se refere à destituição do poder por motivos alheios ou insuficientes, mas que beneficia alguém que o deseja?

6. Na Lei brasileira há uma definição estabelecida para essa palavra, sendo que ela significa também “enganação”, “trapaça” e “falcatrua”?

7. Ouve-se falar hoje na mídia sobre Lava-Jato? Políticos de outros partidos estão sendo indiciados ou chamados coercitivamente para depor, ou como no caso do Sr. Aécio Neves, estão aceitando a denúncia e logo em seguida arquivando?

A essa altura, Rosa Weber diz:

- Ok, ok. Esquece. É golpe mesmo.

Em um outro Brasil isso seria mais que factível.


Gilberto Miranda Junior é licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano, estudou Ciências Econômicas na Universidade Guarulhos (UnG) e é membro pesquisador do Centro de Estudos em Filosofia (CEFIL), registrado no CNPQ e ligado à Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Participa do Círculo de Polinização do RAIZ Movimento Cidadanista, é editor do Zine Filosofando na Penumbra e Revista Krinos. Escreve para as revistas Maquiavel, TrendR e Portal Literativo.

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