A RESPOSTA…

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Gilberto, Eu já te conheço por longos 15 anos. Sei como vc pensa. Sei como usa seus conhecimentos de filosofia na tentativa de materializar seus sentimentos para com as ideologias de esquerda.
Elas te cegam e não te deixam enxergar o processo que está se desenvolvendo na política brasileira. O cenário atual está além dos livros de filosofia e da constituição. Bem vindo a prática dos fatos. Bem vindo ao empirismo e às mudanças provocadas pelas paixões

Curiosas suas colocações. Você jamais me conheceu de fato nesses longos 15 anos. O que você conhece são seus próprios afetos e juízos daquilo que lê do que escrevo, e chama esses afetos e juízos de Gilberto.

Particularmente, eu procuro (e nem sempre consigo, obviamente) separar a pessoa que fala dos afetos e juízos que minha relação com ela provoca. Para isso eu sempre estou a reavaliar meus próprios juízos e afetos. Isso me parece imprescindível, pois nossos juízos e afetos dependem muito mais de nós mesmos do que do objeto deles, já diziam os estoicos.

Você tem o juízo formado sobre mim que meus sentimentos para com as ideologias de esquerda sequestram meu conhecimento filosófico e me cegam. É uma maneira de ver, sem dúvidas, mas que diz muito mais a seu respeito do que sobre mim. Você não aventa a hipótese de que meus conhecimentos em filosofia possam ter me levado a alinhar ideologicamente à esquerda ao invés do contrário. Como Dallagnol, você precisa primeiro pensar na culpa para depois encontrar o crime. É o que chamo, no meu texto, de uma extensão de sentido do argumento ontológico.

Depois disso foi importante construir um raciocínio abdutivo fantasioso para dar contexto ao juízo já formado. Dessa forma, é preciso que seja imputado a mim ser um petralha, um comprado do PT, “alienado do processo que se desenvolve na política brasileira” e outras qualificações e adjetivações que o Dallagnol usou às expensas na peça acusatória. É típico e sintomático. E é exatamente disso que estou falando.

Ser de esquerda não se reduz a ser petista (e se um dia foram próximos, ao menos desde 2006 parece-me cada vez menos). Não se reduz a ser marxista, não se reduz a abraçar cegamente nenhum tipo de matriz teórica ou conceitual que a direita, equivocadamente, chama de “ideologia”. Sequer ser de esquerda se reduz a um equivalente oposto a ser de direita. Não há, de fato, essa dicotomia, embora parte da esquerda (devo confessar), assuma essa tara.

Ser de esquerda, esse sentimento acima de tudo, assenta-se na percepção crítica de que as formas pelas quais as coisas se dão revela estruturas de dominação que privilegia uma determinada classe de pessoas em detrimento de outras, suscitando não só a investigação e diagnóstico de suas origens e consequências, como a construção da possibilidade de superação dessas estruturas, seja via ruptura ou via transformação delas.

No caminho, na própria fenomenologia do ser da esquerda, obviamente, muita merda, precipitação e equívocos aconteceram, acontecem e acontecerão. Porém, substancialmente, ser esquerda é imprimir movimento, estar em constante devir, criticando, descortinando e propondo a desconstrução de toda forma de domínio naturalizado, reificado, que faz com que as pessoas, em geral de direita, assumam como parte da vida, de um plano prévio ou de uma fatalidade irreversível.

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