Você é menino ou menina?
Bruna Modesto
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Bruna Modesto, eu sempre me impressiono com teus escritos, mas esse em particular, me impele a lhe dizer o quanto me faz admira-la(o) em sua sinceridade desconsertante e corajosa. Imagino com você que terapia nenhuma no mundo seria mais efetiva do que essa liberdade de escrever e inscrever-se no mundo desde dentro de tudo aquilo que lhe invade e lhe transborda. Mas uma coisa me intriga, se é que tenho esse direito.

Não sei o quanto você acompanha e se engaja nos estudos feministas. Sou um estudioso meio que à distância e gosto muito da ideia da luta que procura revogar ou superar o binarismo de gênero. A socialização de seres vaginados, sejam homens transexuais ou mulheres (como são identificados nos dias atuais), requer, segundo essa vertente feminista, uma luta comum na medida em que sofrem compulsoriamente o mesmo tipo de socialização da sociedade patriarcal. A libertação proposta não passa exatamente pela liberdade de escolha (algo até meio estranho de se dizer, como se pudéssemos escolher quem somos), mas sim pela liberdade de sermos quem somos, sem modelos prontos e estereotipados do que deveríamos ser para sermos aceitos socialmente.

Por outro lado essa luta pela revogação do binarismo de gênero do Feminismo Radical se contrasta com outra vertente Feminista Liberal que parece, ao invés de revogar o binarismo, alarga suas definições, querendo dar nome a toda uma constelação de identidades que horizontaliza o binarismo verticalizado do patriarcado. A essa vertente, ao que me parece, não há um questionamento sobre os estereótipos de gênero, mas a liberdade de escolhê-los dentro de uma certa régua gradualista que parte do andrógino para a feminino e do andrógino para o masculino.

Minha curiosidade, diante do que venho lendo de você, é qual vertente diz mais respeito ao que você pensa e se você reflete sobre isso ou faz parte de algum coletivo feminista que discute essas questões teóricas.

No mais, sua existência só me faz congratular-me com a humanidade como um todo, sempre especial e importante apesar de toda barbárie das determinações que sobrevém sobre nós. Beijão.

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