Sim, é necessário da analise de uma teoria de valor.
Matheus Santana
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Matheus, a ideia de “sobrevalor” não pressupõe, necessariamente, a existência de um valor objetivo, fixo e inalterável. Mas, obviamente, ela nos remete a ideia de que tudo o que ultrapassa o valor de uso se agrega a valores criados artificialmente. E isso não revoga o caráter subjetivo do valor de uso. O sobrevalor, esse sim, é que possui um valor objetivo, na medida em que se dá por forças ideológicas e pressões de mercado que visam atender interesses de produção e comerciais, e não a satisfação de necessidades de quem consome. A pergunta a ser feita é: do quanto aquilo que você está disposto a pagar por um bem ou serviço, de fato, tem a ver com sua necessidade real, ou tem a ver questões do sistema em que você se insere, o que sobrevaloriza um bem. Um exemplo clássico tem a ver com os carros aqui no Brasil. O mesmo carro aqui é vendido por quase o dobro do valor dele na Argentina. Alguém que desconhece e já tem internalizada a cantilena neoliberal dirá que ée por causa dos impostos. Não, não é… Procure saber. Há um sobrevalor absurdo e uma margem estratosférica praticada internamente pelas fábricas que vivem reclamando do imposto e não reduzem a margem como fazem em outros países.

Por isso, quando afirmo que o sobrevalor cerceia a liberdade do indivíduo, estou falando sobre o quanto nossas decisões não são racionais como a praxeologia idealiza, mas são circunstanciais e influenciadas por uma infinidade de instâncias culturais, ideológicas e heteronômicas.

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