A Necessidade de Falar

Lendo um texto compartilhado nas Redes Sociais acabei achando esse Medium.com e resolvi criar uma conta. Bom, allons-y !

Qual tema seria melhor para começar essa minha nova “exploração” do que aquele que me trouxe até aqui? A necessidade que muitos de nós temos de falar, de se expressar, de soltar aos quatro ventos nossas ideias, opiniões e pontos de vista. Não necessariamente queremos ser ouvidos ou vistos (alguns até querem isso mesmo), mas o importante é que consigamos jogar para fora de nós aquilo que tanto nos movimenta por dentro.

Muitos dizem que hoje expressar suas opiniões nas redes sociais é uma “modinha” e que as pessoas fazem isso pura e simplesmente para aparecer. Bom, futuramente pretendo escrever mais sobre isso por aqui, mas sempre penso que “os extremos são perigosos”. Generalizar as coisas desse modo é bem complicado; não nego que existam pessoas assim, mas taxar todos de “quererem aparecer” é um problema. Problema maior ainda é taxar esse “querer aparecer” como algo pejorativo. Bom, vou explicar.

Facebook, uma das redes sociais mais utilizadas para expressar críticas.

Com o surgimento das redes sociais mediadas por computadores e pela internet, tudo ficou mais visível. A vida privada nunca foi de tão fácil acesso, isso é um fato. Mas antes que comecemos a apontar culpados, vamos nos ater a uma característica das redes que pesquisadores há muito gritam para nós: elas não existem sem as pessoas. Quem faz o facebook ser o facebook somos nós, usuários. Não é o Zuckerberg lá do seu escritório que controla nossas mentes, não sejam ingênuos, nós queremos mostrar aquilo que mostramos em nossas linhas do tempo. E é aí que entra mais uma vez a necessidade de falar.

Desde muito antes das primeiras redes sociais mediadas pela internet surgirem já existiam redes sociais sem computadores. Os pontos de ônibus, as estações de metrô, as pracinhas abarrotadas de pessoas, as bancas de jornal, as instituições de ensino, igrejas, almoços de domingo em família. Tudo isso e muito mais já eram redes sociais antes da internet ganhar o mundo. E a necessidade das pessoas de falar já estava presente ali muito antes dos likes.

Toda a questão aqui gira em torno da visibilidade. Assim como está mais fácil agora avisar para todos que você conhece que você “entrou em um relacionamento sério”, também está mais fácil gritar ao mundo o que você pensa. Isso é ruim? Depende (odeio extremos, lembra?).

O Brasil vive hoje um momento dicotômico bem complicado na política. E é possível afirmarmos que nunca antes na história a população esteve tão “ativa” nisso, nem que seja apenas expressando suas opiniões em público. A máxima “política, futebol e religião não se descutem” caiu por terra há muito tempo. Hoje esses são alguns dos temas que mais geram polêmicas e que mais são debatidos tanto em redes “virtuais” quanto fora delas.

Isso em si não é um problema, pelo contrário! Sinceramente fico feliz de ver as pessoas mais “corajosas” (se é que posso chamar assim) para expressar suas opiniões aos outros. Mas o “doa a quem doer” que é gerado com esse movimento precisa ser dosado com muito cuidado. Pois esse expressar-se é só o primeiro passo em uma possível evolução.

A alienação é um termo muito utilizado em meios acadêmicos para expressar o estado das pessoas de “estar alheio a tudo”. No dicionário achamos o significado da seguinte forma: “ato ou efeito de alienar(-se); alheação, alheamento, alienamento”. Esse é um tema para outro texto (um livro, uma dissertação de mestrado e até uma tese…), mas aqui vamos utilizá-lo só para deixar claro que: em maior ou menor grau, somos todos alienados de algum modo.

Sendo assim, é preciso ficar atento a isso antes de expressar a sua opinião. Não digo que precisamos virar verdadeiros experts em tudo para que possamos falar em público sobre, mas o que mais me dói ver nas redes são os julgamentos que as pessoas fazem sem nem notar que o fazem. E isso é facilmente evitado com um pouco do bom e velho bom senso.

Será que assumimos um único lado com as nossas opiniões?

É preciso tomar muito cuidado, pois aquilo que encaramos como verdade pode ser simplesmente um ponto de vista incompleto de uma situação muito maior. Não acho errado de maneira nenhuma essa nova onda de “críticos virtuais”, porém não podemos estacionar no “criticar por criticar” e ficar assim num ciclo interminável de polêmicas sem fundamento.

Ler, pesquisar, discorrer, tentar entender por outro ângulo e, o mais importante, se colocar no lugar do outro; esses são exercícios diários indicados para todos nós, inclusive aqueles que não gostam de expressar suas opiniões, mas principalmente para aqueles que gostam.

Eu mesmo, para escrever esse texto que vocês estão lendo, tive que fazer algumas pesquisas rápidas na internet (o Google é fácil de usar, acreditem!) sobre o que citei aqui, muitas coisas eu já sabia por estudar redes, mas mesmo assim não podemos simplesmente sair falando o que nos aparece na cabeça, pois nem sempre o que achamos ser verdade de fato é.

Nós temos a necessidade de falar, temos a necessidade de dividir com outros nossas ideias, isso é do ser humano desde que esse criou a civilização e a cultura. Somos seres sociais e queremos dividir nossas ideias (conscientes disso ou não). Porém, para que possamos fazer isso da melhor forma, é importante pensar como coletivo um pouquinho mais. Cuidado com as opiniões de “doa a quem doer”.

Queria terminar esse meu primeiro texto falando isso: vamos discutir sobre tudo que acharmos necessário discutir! Sexo, violência, gênero, política, religião, infância, esporte, videogames, passado, presente, futuro e o que mais surgir no caminho. Mas que façamos isso respeitando o outro e pensando fora da caixa. Tenha suas opiniões, mas esteja preparado para mudá-las, caso necessário. Pois é assim que nos tornamos mais sábios e mais críticos, quando olhamos para o outro e para as suas ideias e enxergamos um pouco de nós mesmos.

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