D-edge, e garotas ricas paulistanas.

A cidade que nunca dorme, e suas cidadãs divididas.

Quando se tem 20 anos, e se ouve os remix que fazem das músicas depressivas da Tove Lo, para estudar ou trabalhar, as pessoas costumam imaginar que na sexta essas garotas vão pra Augusta, dançar, mas isso difícilmente acontece, a não ser que ela seja uma artista, e use cocaína por ainda não saber lidar com isso.

2016 e sua falta de ‘cotas’ enorme para as garotas, de uma classe esquecida, 3,80 do metrô, e a esperança que elas encontram no centro, onde em cada prédio espelhado a uma história milionária, cigarro e programas. Quando se opta pela dificuldade, a sensação de se estar liberta se encontra no meio das pichações, becos cheios de mofo, e um pouco de pop punk. Você se sente no seu lugar, mesmo sabendo que do seu lado esquerdo tem um apartamento de milhões.

18:40, já dá pra ouvir o barulho dos saltos altos. LSD, Vodka, e prostitutas, e mesmo que já se tenha 23 anos, é estranho pensar, que uma pessoa vai pra uma balada qualquer, e não vai sentir a dor que a noite, naquelas ruas transmitem, e não sei qual é o melhor momento que elas se escondem, apesar de tudo acontecer a noite, e de manhã os sintomas de que várias coisas aconteceram, estarem claras lá. E talvez prazer de se ter 23 anos, e ser rica seja ignorar essa dor, e o de se ter menos de 18, e menos de cinco reais, seja sentir aquela dor, e mostrar para as pessoas artisticamente o que ela significa, assim como quando se nasce sendo expulsa, e levando socos. Mas o que poucos sabem é, mesmo com a vida deplorável, alguém te encontra para querer ver, o que você tem a oferecer, que é transformar sua dificuldade em arte, e assim ter motivos para passar pela Augusta e sentir toda aquela dor, é uma gratificação, é ser incrível e ter alguém pra te aplaudir, e ter todo mês a além da sua dor, ter a de alguém pra transformar em arte e em texto. E não são todas as pessoas que estão em São Paulo, que vão transformar a dor, e então nós, artistas, sempre iremos marcar os séculos, com as dores e as crises.