Vida emocional

Hoje completam 4 semanas que eu não choro. Pra muitos essa afirmação é, com toda a certeza, inútil, mas tem certo significado para os mais próximos, pois eles sabem o quanto eu odeio isso.

Demonstrar emoções sempre foi algo difícil pra mim sobre qualquer pessoa, seja mãe seja melhor amigo, muito raramente eu consigo expressar o que sinto por aqueles próximos à mim, mas não por falta de tentativas.

Sempre quis/tentei demonstrar o quanto eu gosto por gestos simples como abraços ou elogios, mas sempre que vou fazer algum dos dois algo dentro de mim impede, e eu nunca chego a fazer de fato, salvo raríssimas exceções.

Por ter sido forçado a guardar emoções por anos e anos sem falar com ninguém sobre as mesmas graças às pessoas com quem convivia aliadas ao meu pragmatismo me transformaram em uma máquina quase perfeita de emoções, sendo capaz de fingir com naturalidade que “está tudo bem” quando nada estava.

E isso me destruiu por dentro.

No início do oitavo ano eu estava acostumado a ser a pessoa isolada e aparentemente fria que diziam que era, e isso gerou uma situação desagradável que fez com que eu conhecesse quem na época se tornou meu melhor amigo e, de forma muito resumida, primeiro crush. Conheci outros amigos nesse ano, e graças aos mesmos comecei a me abrir mais, iniciando a lenta jornada de expressão que atingiu seu ápice esse ano, quatro anos depois de ter conhecido eles.

Mas, como é óbvio, todos esses anos de retenção emocional tiveram seu peso.

Na área da economia, uma empresa que resolve se expandir no mercado, ou seja, se integrar mais ao mesmo, pode tanto ser bem sucedida, conseguindo lidar com o maior fluxo de capital quanto conseguir lidar com o fluxo mas se desestruturar por dentro. Adaptando esse conceito a minha vida, eu seria a empresa que se desestruturou.

Ao me abrir mais para a vida (se é que posso falar isso) eu acabei dando abertura para emoções há muito tempo afundadas saírem, e de formas que não são nada fáceis de lidar. Como tentava retê-las mesmo assim, a única forma pelas quais elas saiam eram por crises emocionais ou quando uma se destaca por diversas razões. E como a pressão pra saírem era forte, eu nunca soube o que é estar emocionalmente estável, já que quase tudo poderia causar uma crise.

E eu não tenho uma fazem quatro semanas. Deve ser algo bom. Ainda não consigo expressá-las bem, longe disso, mas já é um começo.