Sobre a perfeição
O meu erro é achar que as pessoas — todas elas — pensam como eu
A afirmação é feita para fins de aceitação, não ponho um “talvez” porque não é estar em cima do muro, é ter certeza. Reconheço um dos meus piores defeitos. Defeito? Seria isso de fato? Quem sabe uma fraqueza; achar que as pessoas pensam e agem como eu, pondo-se no lugar do outro antes de tomar quaisquer atitudes, analisando a situação antes de “soltar o verbo”, sendo cautelosa de alguma forma… Mas quase ninguém faz isso. Peculiaridades existem justamente para diferenciar nossas ações e modos de pensar, pode ser que encontremos, certas vezes, semelhanças em outros, mesmo eu achando tal acontecimento pouco provável de ocorrer. Porém veja que não disse “impossível”.
O ser humano é coisa bizarra. Mais uma afirmação que me custou os poucos anos de idade que tenho para concluir. Inúmeras vezes, ocorreu-me fazer um julgamento antecipado mesquinho, olhar para alguém e tirar conclusões claramente precipitadas, pensar “nossa como ele(a) é arrogante!” e despencar em queda livre da minha “torre de perfeição”; em quase todas as situações o julgamento negativo breve converte-se em qualidades excepcionais. Outras vezes, encontrei-me pensando sobre ter tido a oportunidade de conhecer indivíduo quase perfeito, todavia, a perfeição está longe de existir.
O perfeito é o belo a nossos olhos, aquilo em que se acredita ter ausência de defeitos ou erros, uma visão errônea da face humana. Todo mundo surpreende-se um dia por crer concretamente nas aparências, você aposta as fichas que possui em algo que o encanta e, quase sempre, perde a aposta. É aquela antiga expressão “quem vê cara não vê coração”; resume com maestria a capacidade de esconder a sordidez que as pessoas têm, demonstrando a inteligência, a eloquência, a espontaneidade e a sinceridade e outras coisas semelhantes, guardando para si os infindáveis defeitos, coisas ruins que podem até mesmo cobrir as boas.
Desejar que o pensamento do outro seja igual ao meu é como buscar a perfeição, inviável, estaria atirando em meu próprio pé se o fizesse. No entanto, em qualquer canto, de vez em quando eu encanto-me e a história pode se repetir, pelo simples fato de adorarmos a perfeição porque não a podemos ter, como afirmou Fernando Pessoa. Estamos levemente propensos a isso, a apostar e apostar, obtendo a decepção como resposta e tentando aceitar a ideia do imperfeito.