Estudo antropológico

Não é questão de ter companhia. É questão de quem te acompanha.


Você percebe como sua relação com as pessoas funciona de acordo com sua reação às ações delas.

Neste quesito sinto que venho evoluindo bastante nos últimos tempos. Sabe como dizem que as fases ruins vem pra te ensinar coisas? Pois é.

(obs.: não se preocupe, este texto não tem absolutamente nenhuma intenção de soar como autoajuda ou motivacional.)

Em suma, meu ano passado foi conturbado, cheio de baixos, baixos, baixos. Parece que envelheci uma vida inteira de março a dezembro, sempre buscando os erros, pensando que não era possível que tantas coisas dessem errado de uma só vez, mas qual será o problema agora, quando vem a próxima pancada, quando isso acaba? Mais um dia, só mais um dia, respire fundo e aguente mais um pouquinho.

Acho que me importei tanto com outras pessoas que comecei a me definir pelo que elas pensavam e falavam de mim e pelas minhas dificuldades. Isso me corroeu de uma maneira absurda e destrutiva. E como os outros podem te derrubar se você deixar! Sua energia é sugada aos poucos, um buraco negro dentro de você te diminuindo, te fazendo agonizar, travando sua garganta e calando seu grito. E você chora, e não adianta. É um beco sem saída.

Aí cansei, me revoltei. Peguei essa imagem e joguei no lixo. Parei de me importar com quem disse que estaria lá por mim e depois me deu as costas, ignorei a decepção com quem afirmou me amar e só me magoou. Selecionei quem eu deixava entrar na minha vida. Resolvi cuidar de mim.

Descobri que tem gente que me quer bem. Gente que esteve comigo quando eu mais precisei e menos suspeitei. Vi que as coisas podem ser mais simples, que o desapego não é necessariamente uma coisa ruim. Às vezes as circunstâncias te afastam dos seus objetivos, e aí é preciso foco e esforço pra retomar as rédeas.

Entendi que nem todo mundo que está na sua vida deve necessariamente participar dela ou (muito menos) do seu íntimo. Que o particular é particular, e ninguém vai cuidar tão bem dos seus segredos quanto você mesmo. Que a discrição não é só boa como, por muitas vezes, necessária e que sua vida só diz respeito a você mesmo.

Às vezes, por mais que gostemos de alguém, nossos segredos são só nossos. E manter uma distância segura nos ajuda a não nos machucarmos. Cada um ter sua vida (e seus segredos) é uma fórmula que tende ao sucesso. Quem sabe no dia em que cuidemos só das nossas vidas e objetivos, sem procurar ficar agourando os outros, o mundo se torne um lugar melhor. É tudo o que tenho a esperar.

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