O dia que a casa caiu

Era um daqueles dias que eu esperava que tudo fosse apenas mais uma metáfora. 
Respirava fundo e imaginava o fim de todo aquele ciclo. Aquela água que escorria nas paredes da minha casa e da minha alma, me fazia pedir para que junto ao seu fim, todos os problemas fossem lavados e levados para bem longe. 
O tempo inteiro eu queria crer que se a metáfora fosse fazer sentido, dentro de algumas horas toda aquela loucura ia acabar e ia valer a pena. 
Acordo, mesmo depois de nem ter dormido. Abro os olhos e tento me convencer que desgraça pouca é bobagem, que já passou e que daqui a pouco tudo vai voltar a ser tranquilo como antes.
Mas acredite pior que tá, fica. 
Toda essa correnteza de dificuldades que desmoronou a casa, o corpo tem que servir de algo, eu pensava. Não é possível que toda lição difícil seja só para mostrar o quão difíceis são. Não pode ser eu não quero acreditar que seja. 
Desaguei nas minhas águas mais profundas e me permiti afogar por alguns instantes, para ver se no meio daquela parada apareceria uma solução genial para dar a volta por cima. 
É não apareceu. 
A casa vai se reerguer com tempo e com ajuda, uma pessoa só não dá conta. Minha vida vai se reerguer com tempo e com ajuda, eu sozinha não dou conta. 
Dentre os 12, foi o 10 que me travou. Foram aqueles 22 dias dentro dos 365 que eu pensei em desistir e foi hoje ao escrever tudo isso que percebi que não pesar o lado bom, seria mera bobagem minha. 
Em meio à reforma, tirei um tempo pra pesar minhas conquistas e minhas frustrações, foi quase um empate técnico, mas por pequenos momentos que consegui resgatar na minha memória, as conquistas foram vitoriosas. 
E eu sei que quando a casa estiver novamente pronta, vou poder pendurar num quadro bem grande as medalhas desta vitória complexa que exigiu uma longa caminhada.