12 meses

Hoje termina a minha extero-gestação — o dia em que a Maria completa 3 meses e minha gestação 12. O dia em que, segundo a biologia, ela está plena para enfrentar o mundo.

Eu me sentia preparada para ser mãe, já que a Maria foi uma gravidez esperada, mas só hoje percebo o quanto eu estava enganada. A vida não te prepara pra ser mãe, a vida simplesmente te exige.

Não existe teste, treino, descanso, mais teste e mais treino e mais descanso. De repente você se vê com um corpinho mole de 2kg do qual você é a única fonte de alimento, dependendo 100% da sua disposição pra viver… E pra isso também ninguém te prepara — pra ter disposição. Suas varadas de noite pra trabalhar ficam no cheiro do que é passar pela privação do sono dos primeiros 3 meses. Um cansaço que também ninguém te prepara pra segurar, um cansaço que dói, que te faz chorar. Por falar em dor, ninguém te prepara também pra dor do parto, do pós parto e pros seios fudidos da amamentação… mas essa parte a gente não precisa nem detalhar…

Ninguém te fala também sobre a dor emocional. Você vai cravar uma briga boa com seus hormônios, e, no sentido real do significado, será uma montanha russa de sensações. Os hormônios vão mudar parte do que você era, mandar e desmandar no seu estado emocional, nas suas relações, no seu corpo físico, no seu paladar, no seu cheiro…

Você também não está preparada para se despedir da mulher que era. Da esposa, da amiga, da filha, da irmã, da tia presente.De se despedir da sua privacidade, do seu espaço, do seu tempo, da sua própria solidão. A vida muda de eixo, você não é mais sua prioridade e nem a prioridade de ninguém.

Você não está pronta pra culpa que vai sentir. Culpa por ficar muito em casa, por sair 30min, por trabalhar, por ser dona de casa, por chorar, por guardar muito sentimento… culpa.

A vida também não te prepara para ser mãe sem a sua mãe, por mais que vc achasse que seria suportável, afinal de contas, muitas pessoas passam por isso… A falta e a ausência se tornam ainda mais latentes… As conversas e os conselhos que você deixou de pedir, ah… se eu pudesse voltar atrás.

Mas mesmo sem estar preparada (talvez a gente nunca esteja) me sinto privilegiada por ter contato com um sentimento tão profundo, tão forte, tão intenso que até assusta. Dá medo mesmo. Um sentimento que te faz amar um ser tão novo, mais do que vc ama qualquer pessoa que conheça há 32 anos. Muuuito mais.

Me sinto privilegiada por ter podido viver esse sentimento. Que não é o sentimento comercial de fralda que a sociedade te mostra, que o facebook de muitas mães te mostram… é um sentimento construído em meio a muito tumulto, dúvidas, preocupações, medos… e talvez por isso ele seja tão forte.

Filha, eu te amo! Seja bem vinda ao mundo oficialmente, que não está dos melhores, mas farei de tudo pra você torna-lo (nem que seja um pouco) melhor.

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