Sobre empatia, sobre puerpério

Pra falar sobre empatia de uma forma bem didática, fiz uma comparação com um substantivo bem confundido e ao mesmo tempo bem conhecido pelas pessoas.

Simpatia

  • Sente por
  • Tem a capacidade de remediar sentimentos
  • Não ofende
  • Se coloca na perspectiva semelhante a do outro
  • Ouve as emoções do outro e busca soluções descomplicadas que camuflem aquele sentimento

Empatia

  • Sente com
  • Tem a capacidade de compreender sentimentos
  • Não julga
  • Se coloca na perspectiva do outro
  • Reconhece as emoções do outro e busca dentro de si soluções que se comuniquem com aquele sentimento
Ah se durante o puerpério as pessoas colocassem em prática a empatia… eu juro que trocava o amor por ela

Nesse período você não precisa de excesso de zelo e cafuné (não há tempo pra isso), mas sim de alguém pra te fazer uma sopa, pra tirar a roupa do varal, abastecer o porta-fraldas ou colocar água quente na garrafa térmica.

Você não precisa que todas as visitas levem presentes pro seu bebê (bebês ganham muito, mas muitos presentes), mas sim que te liguem da rua perguntando: você precisa de algo da farmácia? Sacolão?

Você não precisa que as pessoas comparem seu bebê com outros, sua criação com outras, sua troca de fraldas com outras. Mas sim que te digam que seus instintos não falham.

Você não precisa que as pessoas fiquem fragilizadas com alguma reclamação mais áspera sobre essa fase da sua vida, e que se esforcem para darem conselhos. Você simplesmente precisa que ouçam e abstraiam.

Você não precisa que te deem alguma opinião sobre seu peso (se voltou ou não) ou sua fisionomia de cansada (se melhorou ou não), mas sim que te façam um chá quente ou liberem você para tomar um banho mais demorado enquanto cuidam do bebê pra você.

Você não precisa da casa cheia de amigos, mas sim que eles tenham paciência e compreensão, porque você estará ausente por um período — sua vida mudou e aquela amiga presente nos jantares matando garrafas de vinho não existe mais — por enquanto (?).

E tá tudo bem.

Aqui o foco é puerpério, mas empatia é pra vida. Antes de sair tomando atitudes em prol dos outros (o que é bacana) pare e reflita: eu no lugar dele, o que eu estaria precisando? Com esse exercício o mundo seria bem melhor.

Like what you read? Give Giovana Orlandeli a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.