Papo de Botech #1

Foi no começo da década de 80 que meu pai chegou com esse novo aparelho em casa. Era um TK85 e as primeiras lembranças que tenho dele são de quando, perto dos 6 anos, o conectava a uma TV preto e branco e digitava tudo o que constava num livreto pra poder, enfim, jogar Pac Man (ou algum similar).

Se você lembrou do TK85… ;)

Eu não sabia, mas estava escrevendo linhas de código e — isso mesmo! — programando o jogo. Foi amor à primeira vista, e depois disso nunca mais larguei a tal da tecnologia digital e todos os seus desdobramentos. Vieram computadores mais potentes, a internet, redes sociais, smartphones, e eu segui cada novidade bem de perto.

Foram anos incluindo sites nas propostas de eventos, sistemas com processamentos automáticos para campanhas de incentivo, hashtags para ativações, e games… muitos games. Apaixonada por isso tudo, percebi o quanto queria trabalhar em uma empresa digital.

Quais eram as chances de uma designer, atuante na área comercial, com bagagem de Live Marketing, ser contratada por uma empresa digital? Eu não sabia, mas me arrisquei. E a cada entrevista fui descobrindo o quanto eu sabia — e não sabia — de tecnologia. Ainda assim, nada me preparou para o que veio a seguir: eu finalmente consegui a vaga que queria.

No primeiro mês de trabalho mergulhei no mercado digital: concorrentes, formatos de trabalho, serviços, soluções, e até os conceitos de “tecnologia” e “digital” pesquisei para ter uma base bem fundamentada. Situada, passei a agendar as reuniões e acompanhar meu gestor nas apresentações, onde percebi a encrenca em que havia me enfiado: framework? API? SSL? Integração? Gateway? Túnel de criptografia?

Alguém explica em esperanto, por favor!

A cada reunião com alguém da equipe de TI, com um gerente de projetos, era um novo susto, um termo desconhecido, palavras de um idioma que eu estava muito longe de dominar. Para meu alívio, me vi cercada de tradutores e intérpretes dispostos a ajudar, e com isso pude relaxar e simplesmente absorver, por curiosidade, paixão e osmose, essas novidades.

No fim das contas descobri que as coisas são bem mais simples do que parecem. Nada que uma metáfora, desenho ou bate-papo rápido não resolva. E uma dose de boa vontade pra burlar aquela resistência (natural) ao novo e ao desconhecido, claro.

Como frontwoman da Fullbar uma das minhas missões é transmitir esse meu aprendizado sobre aspectos técnicos e tecnológicos dos projetos para o cliente, de um jeito descomplicado e tranquilo, assim como ele me foi transmitido. De leigo pra leigo, deixar claras as características e os entregáveis, as limitações e os motivos das recomendações e escolhas que fazemos para os clientes.

E já que o papo é gostoso, resolvi estrear aqui a minha coluna: Papo de Botech. Agora o explicadinho descomplicado ganhou um espaço oficial e o papo de boteco ficou acessível pra quem quiser encostar no balcão, a qualquer hora.

Pode puxar uma cadeira, garanto: aqui não tem ressaca!

Cheers!