Eu sempre fui uma pessoa individualista. Sempre. Apesar de me considerarem sociável e acessível, alguns até acreditam que eu seja divertida e expontânea, sempre fui individualista. Nunca tive um ciclo social fixo, sempre tive grandes amigos, muitos conhecidos mas nunca um grupo. Talvez pelos vários colégios que frequentei por não muito tempo, talvez pelas mudanças de cidade que tive ao longo da adolescência, sempre achei extremamente complicado manter contatos, amigos, conhecidos. Porém, hoje, me sinto mais sozinha que nunca. Clichê dizer isso, não?
Pois, apesar de estar num relacionamento, e isso consumir (no bom sentido da palavra) grande parte do meu tempo, divido o restante dos meus momentos com meu trabalho. Esse exige, consome (no sentido ruim da palavra) outra grande parte do meu tempo. Tenho poucos momentos verdadeiramente só. No entanto, me vejo sem companhias além dos meus colegas de trabalho e meu “abençoado” namorado.
Até pouco tempo atrás estava desempregada. Até pouco atrás estava extremamente deprimida, no entanto me envolvi com um grupo qual eu considerava meus “grandes amigos”. Gostava deles de verdade. Sem sarcasmo nisso tudo. Conheci então minha melhor amiga. Uma pessoas verdadeiramente incrível, dividimos tudo. Verdades, mentiras, beijos de outros, fodas, confissões e ela, decidiu então, dividir comigo os seu grupo de amigos. Amigos que eram igualmente incríveis, igualmente acolhedores (falei que estava deprimida?), igualmente encantadores. Esse grupo de amigos me acolheu. E acabaram me inserindo dentro de um grupo maior (quem não gosta de ser aceito, não é mesmo?). Nesse meio tempo dividimos novamente momentos, cigarros, baseados, vinhos, tequilas, noites, beijos, fodas, verdades e também mentiras.
No entanto, tudo mudou. Eu sempre via todos muito preocupados com grana, muito preocupados com futuro. Mas o futuro acabava quando a noite chegava e era hora de passar glitter nas bochechas e beijar bocas que talvez eu nunca beijasse de novo. O futuro era desejado até o cair da noite. Os planos eram fervorosos até uma mensagem de que poderíamos dormir no apartamento de alguém depois que chegasse da festa. O futuro era interessante por uma hora. Duas. A adultez era erótica por alguns momentos.
E então, aquele esperado e-mail do RH chegou, daquela empresa que fiz inúmeras seleções – “você passou em nossa seleção”. Não sabia que essa mensagem seria o início do momento mais solitário da minha vida. Lembra aqueles amigos que dividiam tudo comigo? Não recebo mensagens. Lembra da minha melhor amiga? Por algum motivo, que ainda desconheço, se afastou de mim. Todo aquele grupo o qual eu me encontrava inserida, aquele grupo que me fazia sentir inserida não faz mais parte de mim. Aquelas noites, aqueles baseados, aquela tequila, aqueles amigos não fazem mais parte da minha rotina. Lembra daquele almejo por adultez, responsabilidade e futuro? Quando isso chegou pra mim, todas aquelas pessoas que idealizavam isso junto comigo simplesmente sumiram. Minha rotina agora se resume em: trabalhar, dormir, chorar no ônibus e sentir falta daquele momentos que eu achava que eram de verdade com essas pessoas tão intensas e tão intensamente verdadeiras. Olho pra essas pessoas, pra esses momentos com carinho. Espero que todos em algum momento também chorem no ônibus, também batam ponto, também idealizem aquilo que era tão distante, que cresçam e que aquelas tequilas, baseados, noites e beijos de bocas desconhecidas também fique na memória deles com carinho daqui não muito tempo. Pois, quando se deseja muito algo, acontece de verdade. E se aquelas pessoas em algum momento foram honestas comigo sobre seus ideais e sonhos, não vai demorar muito. E talvez, só talvez, eles se sintam sozinhos o suficiente pra me chamarem pra um eventual café. E assim eu possa relembrar as tequilas, os baseados, os beijos e as noites juntos, que passamos planejando o que no momento eu vivo sozinha.