Século XXI: sexualidade censurada

Por Camila Milani e Giovana Meneguin
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Na sexta-feira, 20 de outubro de 2017, o Masp (Museu de Arte de São Paulo) inaugurou a mostra Histórias da Sexualidade. A exposição, que fica no museu até fevereiro de 2018, contempla mais de 300 obras, de 150 artistas; os nomes vão de Picasso à Adriana Varejão, e a temática engloba Corpos Nus, Totemismos, Religiosidades, Performatividades de Gênero, Jogos Sexuais, Mercados Sexuais, Linguagens e Voyeurismos, Políticas do Corpo e Ativismos. De acordo com a curadora-adjunta da exposição, Lilia Schwarcs, a mostra faz parte de um projeto do Masp que visa abordar as diversas facetas presentes na história. E a sexualiadade é uma delas. Entretanto, nos 70 anos de existência do museu, uma exposição foi censurada pela primeira vez. Histórias da Sexualidade é 18+.

A sexualidade é intrínseca ao ser humano. É natural e biologicamente ligada ao desenvolvimento da nossa espécie. Algumas escolas entendem a relevância do assunto e abordam essa temática no ensino básico, isso porque é de fundamental importância que crianças tenham conhecimento sobre o funcionamento de seu próprio corpo. Além do fator biológico, existe também a questão histórica, onde, desde os primórdios, a sexualidade tem sido estudada e abordada nos mais diversos âmbitos da sociedade.

Censurar o acesso ao retrato de uma temática tão natural ao ser humano é negar acesso ao autoconhecimento, é promover alienação pessoal. A exposição Histórias da Sexualidade não traz essa temática de maneira voraz e feroz, como uma pornografia, por exemplo. Ela explica como, ao longo dos séculos e da construção das sociedades, a sexualidade foi tratada e abordada, seja de forma positiva ou negativa.

O dicionário define museu como “instituição dedicada a buscar, conservar, estudar e expor objetos de interesse duradouro ou de valor artístico, histórico etc.”. Dessa forma, a censura à exposição no Masp revela-se contraditória. Afinal, ao proibir uma exposição sobre sexualidade a menores de idade, o museu deixa de cumprir sua função de informar e ensinar pessoas de diferentes faixa etárias sobre um tema totalmente relevante para a existência humana.

Entretanto, é importante ressaltar que, em 7 de outubro, o Masp voltou atrás com a decisão após revisar a classificação etária da mostra. A partir do dia 8, o museu passou a permitir a entrada de crianças e adolescentes acompanhados de pais ou responsáveis.