A Imagem

Art by Maurizio Barraco

O perpétuo gosto de meu olhar
transborda pelos versos que descongelam
qualquer parte do meu coração
ainda fechado para amar.

Eu gosto de olhar
para as relíquias naturais
que Deuses

acasalando com Demônios
teimam em fazer escandalosas
para olhos como o meu.

Relíquias desta cibernética era,
era onde uma anônima
se torna uma Venerável Vênus,

era onde um anônimo
se torna um 
Venerável Adônis,

para mil,
para milhares,
para milhões

no Twitter de poucas palavras,
no Instagram de muitas imagens,
no Facebook de todas as abordagens,

pelo digital mundo
erótico por devoção
e pornográfico por convicção.

Mundo para os meus olhos
de erótico homem,
erótico poeta,

Erótico Ser
sem vergonha de falar
de pernas,

de coxas,
de bundas,
de peitos,

de vaginas,
de pés,
de mãos,

de olhos,
de lábios,
de rostos,

de todas as Vênus
aos quais devoto sinceras
gotas solitárias de adoração.

Você,
virtual navegante
sem pudores

ou cheio de mimimi,
mulher desta era,
homem desta era,

assim também é
domado,
dopado,

danificado,
destemperado,
destruído,

desarrumado,
desalinhado,
depurado

e delimitado
pelo Poderoso Ser
da Imagem?

Creio que sim,
a hipocrisia não cabe mais
naqueles que navegam,

vocês buscam o mesmo
que eu busco 
em nome de um Prazer

sem algum específico nome,
um Prazer
nas Vênus

ou um Prazer
nos Adônis,
grandes fugas

da cotidiana mesmice
da civilizada irrealidade
ou grande encontro

com algumas realidades
que suas sociais máscaras
não permitem,

fora deste cibernético mundo
de implacáveis seduções,
um milímetro sequer acariciar.

Inominável Ser
UM SER
ESCRAVO
DA IMAGEM