o apego gera medo da morte. o desapego, da vida.

com a pouca idade, eu já vivi os dias no fim. vivi cada segundo sem pensar em passado ou futuro. de acordo com todos os textos que eu li, o desapego deveria fazer com que eu fosse feliz em demasia. ‘’desapegar-se é viver com o coração leve’’.

tudo se tornou tão pequeno para merecer tamanha importância que eu, simplesmente, respirava fundo — e vida que segue. porém, sempre no piloto automático. sem emoção.

e, sinceramente, eu não recomendo.

eu sei que dói não saber quando será nosso último dia. eu sei que todos queríamos saber a nossa data de validade. mas data de validade nos faria ver e viver o mundo de outra maneira. talvez da maneira que eu via: tudo insignificante. tão pouquinho. tão pequeno.

não me entenda mal. mas é necessário que vivamos. que tenhamos sonhos, expectativas, lembranças.

é gostoso se apaixonar sem saber se vai dar certo. e, por mais que pareça loucura, é gostoso quebrar a cara, chorar escondido e ter que se (re)erguer, se (re)inventar, mesmo sem forças.

no fundo, isso é viver. viver é o que vocês fazem todos os dias. é se apegar. sorrir e sofrer. é ter medo de morrer, ficar triste e ofegante com a possibilidade.

por um momento, eu deixei de temer a morte. deixei de sentir dor, chorar, sofrer. mas um dia, em meio ao caos, conversei com deus. disse que eu não iria embora sem antes amar.

e agora que eu amo, eu só peço para viver por mais uns dois mil anos.