Publicações independentes crescem no Brasil

Giovanna Colossi
May 13 · 3 min read

Por Giovanna Colossi Ctrl PUC

Lançado em 1818, o primeiro texto de Frankenstein- O moderno Prometeu, foi publicado anonimamente apenas com o prefácio escrito pelo famoso poeta Percy Shelley. Somente em 1823, o mundo pode celebrar o autor, ou melhor, a autora, da primeira e mais importante obra de horror e ficção científica: Mary Shelley.

Mary Wollstonecraft Shelley por Richard Rothwell © National Portrait Gallery, Londres

No início do século XIX era comum mulheres publicarem os seus contos de forma anônima. Escrever romances não era uma profissão aceitável. Quando foi revelado que Frankenstein havia sido escrito por Mary, a obra foi imediatamente criticada por revisores masculinos por ser muito “feminina”.

Frankenstein foi uma mescla do intenso interesse de Mary por anatomia humana e suas experiências, a maioria negativa, ao longo da sua vida até então, que já contava com o falecimento precoce da mãe, ostracismo social e o casamento turbulento.

A história de Mary Shelley poderia ser o relato de uma mulher do século XXI, que hoje publicaria seu próprio romance diretamente na plataforma Kindle Direct Publishing, lançada pela Amazon, empresa transnacional de comércio eletrônico dos Estados Unidos.

A publicação de livros independente torna o autor o verdadeiro dono da sua obra e não tem custo inicial. Para publicar é necessário apenas se cadastrar na plataforma, realizar o passo a passo - desde a escolha do título e capa até o valor do livro online- aceitar os termos e condições e ser o seu próprio divulgador e marqueteiro.

Divulgação: SEO GALLAS / Kindle Direct Publishing

A publicação independente pelo Kindle foi lançada em 2012 no Brasil e hoje é uma saída para à crise que o mercado editorial enfrenta nos últimos anos, além de ser um local onde mulheres não precisam esconder seu gênero, como aconteceu com J.K Rowling no início da sua carreira. Além disso, as duas opções de royalties — de 35% e 70% — levam em conta a abrangência da distribuição do livro e nos direitos de divulgação, que pode ser mundial ou nacional.

Em uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL) , as livrarias continuaram como os canais de comercialização favoritos, independente da crise nas principais redes de livrarias do país.

No total, as livrarias brasileiras comercializaram 93,7 milhões de exemplares em 2018, 46,25% do total de livros vendidos no ano passado, que no total foi 202,7 milhões, mas em comparação a 2017 tiveram uma variação negativa de 20,6%. Já as livrarias exclusivamente virtuais continuaram em processo de crescimento, passando a representar 4,24% do total de exemplares vendidos e 3,41% do faturamento total.

Reprodução: TSERING TOPGYAL / AP

A iniciativa da Amazon não é caridade, autores também são cobrados pelo espaço de divulgação do livro, mas ainda sim, é um valor menor do que o geralmente cobrado pelas editoras por não ser um livro impresso. O real impacto no mercado de publicação seria mais visível se a Amazon divulgasse seus números de publicação-algo que a empresa não faz- e se houve pesquisas de mercado sobre o assunto. Por enquanto, o principal porta voz da ferramente é o conceituado autor brasileiro, Paulo Coelho, que tem 13 eBooks exclusivos na loja do Kindle, publicados via KDP.

Giovanna Colossi

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Internacionalista, jornalista e feminista. não necessariamente nessa ordem