Escrever não é tarefa fácil. Sobretudo, quando aquele que escreve se preocupa com a opinião daquele que lê. Escrever é expressar sentimentos, pensamentos e, diria eu, colocar a mostra toda uma história de vida que esta ali, escondida nas palavras. Ninguém escreve aquilo que não conhece, aquilo que não acredita, que não sonha, que não pensa ou que, pelo menos, não gostaria de.

Talvez, por isso seja difícil não se preocupar com o leitor, afinal, de alguma forma, escrever é anunciar aquilo que se é, ainda que seja de forma não declarada. E quando nem você sabe aquilo que é de verdade, torna-se assustador dizer ao outro. Mas, para quem sente que o seu caminho esta intimamente ligado ao da escrita, o primeiro passo sempre deve ser dado. As primeiras palavras precisam ser rascunhadas, ditas, moldadas e, como um mosaico, começar lentamente a formar um texto, uma história.

E quando se vê, esta escrito, esta declarado, esta formado. O medo se vai, a exposição se aproxima e com ela uma sensação de alívio misturada com prazer. Você produziu, declarou, esvaziou, formou. De alguma forma você fez. E com isso aparece a percepção de que se é capaz, de que existe algo a ser dito e que agradar o leitor não é a tarefa mais importante, pelo menos não agora. Mas expressar, esvaziar, expor, conhecer e acreditar — dar crédito —, a si mesmo, as próprias ideias e sentimentos.

Afinal, se sinto escrevo e se escrevo é porque sinto.

sentido e formar