couturière

Giovanna Ávila
Aug 25, 2017 · 1 min read

eu tentei de tudo
mas no fim
sucumbi
à agulha
destoada e dissonante,
vazia que carreguei por todo esse tempo
esperando uma boca vã
de medos,
esbulhos e
mal-criação

eu já vi estes dedos antes
daquele dezembro

você não sabe o que se passa depois daquele muro?

dizem que lá nadam os nichos do nosso mais obscuro
passado, de carcaça crua e podre, dá até pra sentir o
cheiro da putrefação.

vais-je te manquer quand je serai parti?

pra lá,
pralém de onde tua mão pode alcançar
onde
a minha voz

vira foz
te banhando de

nuvem

voa

e volta tu segundo pássaro
do topo da palmeira seca

querendo mais dessa água

mais e
menos

menos da lua
menos do corvo
do uivo

das janelas

ocultas

dos olhos amarelos
da macieira

tecelã
azul-marinho

mais desse fio
que se estende
no manto negro

cintilo prata

é quando teus átomos
tanto quanto os meus
agitam

a luz anã
da incerteza

absoluta
em lágrimas

)

Giovanna Ávila

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