couturière
eu tentei de tudo
mas no fim
sucumbi
à agulha
destoada e dissonante,
vazia que carreguei por todo esse tempo
esperando uma boca vã
de medos,
esbulhos e
mal-criação
eu já vi estes dedos antes
daquele dezembro
você não sabe o que se passa depois daquele muro?
dizem que lá nadam os nichos do nosso mais obscuro
passado, de carcaça crua e podre, dá até pra sentir o
cheiro da putrefação.
vais-je te manquer quand je serai parti?
pra lá,
pralém de onde tua mão pode alcançar
onde
a minha voz
vira foz
te banhando de
nuvem
voa
e volta tu segundo pássaro
do topo da palmeira seca
querendo mais dessa água
mais e
menos
menos da lua
menos do corvo
do uivo
das janelas
ocultas
dos olhos amarelos
da macieira
tecelã
azul-marinho
mais desse fio
que se estende
no manto negro
cintilo prata
é quando teus átomos
tanto quanto os meus
agitam
a luz anã
da incerteza
absoluta
em lágrimas
