enxerto #3
a resma branca:
sujo-a com este lodo
palavreado todo
de queremos-ser
o corpo é composto 70% de água, diziam.
e de onde tua água vem?
[gosto de ver os cintilos
os arco-íris
destes ventos tímidos]
à gota pura, imagética
estou de luto.
i’m in the backseat
of your car.
can you see me
in the rearview?
a pele embromada,
amassada do rosto
pelas mãos:
distorção, sumo da
existência.
COMO É O SEU NOME?
o timbre sobe,
menor
a pressão
cai
quanto tempo ainda tenho antes
da tormenta chegar?
quantossegundosaindamerestampramirarproteuolhar?
o vendaval rasga o peito,
ensurdece sacadas,,
cala o sol e
me mata.
me mata de uma vez!
pois esse peito, oh,
esse peito
já nem mais se sustenta.
me suspenda
feito guizo de natal
uma vez ao ano pois é
tradicional — pois é
ovo de querubim
que já nasce
à semente do girassol
manchado de lentas
notas
desponta
no seio
uma agulha de prata
ponteando
em círculo
simulações obsessivas
de flutuantes destinos
dispostos à ponta
do dedo indicador
fui deportada de mim. vivo
em plantas de apartamento
colhendo grãos de mate
pra lembrar do morno
doce toque
de lábios roxos.
