pó-rema à declamação

uma melodia triste vaza
por baixo da porta do quarto treze.
tuas poeiras me espirram.
essas imagens pobres
com que sujo esse papel
já não mais me cabem;
mas nada o faz, é tudo
grande
tenho roupas 
demais
numa tentativa de
mudar a embalagem;
quisera eu
ter-te leitor
desse frasco fraco
de composição $ 1,99.

saltei os enteres na
mensagem enviada há quarenta
minutos que nem vi passarem -
- perdi o fio da poética
em lentas medidas,
definhando frases
de uma decadente
mordaça de fome,
cariados murmúrios de um incômodo
abrigados em tensão naturalizada;
procuro sanguões onde
eu possa dançar meu 
flamenco de 
madrugada descalça
pralém da pele pendurada
em varal.

cotovelos
metidos no travesseiro e
o latejar de olhos
que muito rejeitam
essas curvas-de-minutos;
um nós que nunca (h)ouve,
um trejeito familiar
de rugas minhas.
a pelúcia que extravasa o tato,
atinge o olho,
faz pluma no rosto e
ocitocina joelhos.
não consigo ouvir a música de tão alta a pulsação dessas orelhas
decoradas de coração;
[ eu já
_____ sei de
___________ cor ___________ cores]
________________ as suas

coramos
in coro…

(cianestesia)

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