TEMPO É DINHEIRO E EU MORRO DE FOME POR TENTAR COMER MOEDAS

(Ou quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você ou quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo)

Por que antes de dormir é sempre mais difícil?

Como se a vida já não tivesse em si

Um peso indescritível.

Antes de adormecer ele duplica-se

Muda o itinerário

Se perde no fuso horário

E então as horas são apenas horas

E não todo o dinheiro do mundo.

Eu agora, sinto tudo.

O peso dos erros

Dos acertos

Dos finais.

Aquela palavra mal digerida

Aquela noite mal dormida

Que gerou outra noite mal dormida.

Deus, me diga

Alguém nesse mundo

Nesse mesmo horário

Numa cama igual a essa

Há de pensar igual a mim?

Sei que sim,

Pois pensamentos humanos são compartilhados

Tal como ideologias, projeções

E paixões.

Mas as vezes caio nas peças do meu ego

Realmente acredito ser a única a morar nesse castelo

De rabiscos e borrões.

Digo isso enquanto encaro esse quarto vazio

Enquanto puxo uma corda de emoções

E caio no abismo.

Ninguém puxa a corda oposta.

Hoje eu posso dançar, não há ninguém em volta.

Mas quando posso, já não vejo sentido.

A graça de trancar a porta é saber

Que alguém vai bater e encontrar

A tranca como resposta.

Já não há mais porta

A casa desabou.

Escolhi morar com as estrelas.

Mas a noite, sinto frio.

Deve ser esse o motivo

Do momento antes de dormir

Ser o mais difícil.

(Ao observar o céu, me convenço de que a vista vale o sacrifício).

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