E se…

Giovanni Alecrim
Dec 22, 2019 · 3 min read

Vejam! A virgem ficará grávida! Ela dará à luz um filho, e o chamarão Emanuel, que significa “Deus conosco”. Mateus 1.23

As palavras registradas no Evangelho Segundo São Mateus são as Palavras de Isaías, escritas pelo menos seis séculos antes. Quando a Igreja se reúne para celebrar o Natal, como fará na próxima terça-feira, ela se reúne para olhar para um cenário que nada tem a ver com os belos presépios e as belas decorações. Mulher, imagine você dando à luz em meio a animais, com palha ao redor, sem um lugar apropriado, até mesmo para aquela época. Pois é, confesso que não há nada de esteticamente belo no Natal. O frio da região, a dureza do solo, a viagem em dias de dar à luz, o hospedar-se em um curral, tudo isso é feio, rude, inapropriado a qualquer ser humano.

Foi no rude, no inapropriado, no duro solo e no frio palestino que Deus escolheu nascer. Jesus veio para quebrar a estética, derrubar o mito do belo enquanto divino. A beleza divina não consiste na estética de uma pessoa ou de um lugar. O próprio profeta Isaías registra, no capítulo 53, que o servo sofredor, a quem os cristãos apontam ser Jesus, “Não havia nada de belo nem majestoso em sua aparência, nada que nos atraísse”, por isso, pode esquecer aquele quadro de Jesus com cara de príncipe renascentista, branco de olho claro, que você se acostumou a ver, ou as ilustrações de um Jesus bem desenhado, são belos e majestosos demais.

Todo esse choque de realidade com o texto bíblico me faz pensar: E se não tivéssemos o Natal? E se a cidade não fosse ornamentada? E se nossas casas não fossem decoradas? E se nos nossos empregos não tivéssemos os amigos secretos? E se não houvesse a ceia? Viva o arroz sem uva passa! E se na igreja não tivéssemos a canta, os hinos, as velas do advento? E se nada disso que você presenciou aqui hoje tivesse acontecido, você estaria aqui? E se dezembro fosse só mais um mês no ano, em que você vive? E se o Natal, como você o conhece hoje, não existisse? Pois bem, fique em paz, pois não deixaria de ser Natal. Nada apaga o fato de que Deus escolheu ser menino, nascido em condições adversas, vivendo como refugiado com seus pais, no Egito, sendo perseguido, maldito e crucificado. Em muitos lugares do mundo, nesse exato momento, não há nada do que disse há pouco e, ainda assim, cristãos se reúnem para celebrar o Natal, na leitura da Palavra, no compartilhar da refeição, no entoar, a meia voz, um cântico de adoração. Por questões culturais, eles não têm outra opção. Por outro lado, aqui estamos nós, com decorações, festas, canções, amigos secretos e uva passa no arroz, mas o feio e nada majestoso Jesus, não está na maioria de nossas ações e pensamentos neste Natal. Até mesmo dentro das igrejas, Jesus é deixado de lado, quando deveria ser o centro.

O meu convite para você é que você leve contigo Jesus, o feio Jesus, o nada majestoso Jesus. Leve-o contigo, onde quer que fores. Não se deixe iludir pelas luzes, decorações, canções, amigos secretos e uva passa no arroz, siga a verdadeira razão do Natal, siga Jesus. Ele é a razão de ser do Natal. A igreja reservou essa data, há séculos, para que olhássemos para o milagre de Deus se fazendo gente e pudéssemos nos lembrar que ele veio, mas ele voltará. Que Deus nos abençoe.


Meditação para o 4º Domingo do Advento na Igreja Presbiteriana Independente de Tucuruvi, São Paulo, SP

Giovanni Alecrim

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Produtor de conteúdo do Café com Alecrim: https://cafecomalecrim.com.br . Pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Tucuruvi.

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