Educação

Eu sei, você sabe, muita gente sabe e repete, de dois em dois anos, o mesmo jargão: a educação é o caminho para o progresso social e econômico.

Todo ano de eleição é a mesma conversa. Não se encontra nenhum candidato que diga o contrário: a educação é fundamental. No entanto, basta passar o mês de outubro dos anos pares para o discurso sumir e restar apenas as promessas esquecidas. Tenho aprendido, com o tempo, a perceber que a imagem e o discurso valem mais que a prática. Os resultados pífios, as pesquisas feitas na base da gambiarra e do sacrifício, as universidades atacadas, o ensino fundamental e médio sucateado, professores desestimulados e mal remunerados, tudo isso é o resultado de uma política pública imposta pela elite brasileira, que não está preocupada em formar uma grande nação, mas sim em manter suas fontes de rendas e seu status de elite social. Em outras palavras, quanto menos transição social tiver, melhor.

Basta uma análise simples para ver o quão perverso é esse modelo de sociedade. Apenas observe as ruas asfaltadas de sua cidade. Onde está o asfalto mais liso, o de melhor qualidade e o que esburaca menos na sua cidade? Esse é só um dos muitos itens que você pode ponderar. Onde a luz e a água falta com mais frequência? Onde o transporte público é mais cheio e menos servido de opções? Perceba como as construções dos espaços públicos são pensadas para prejudicar os mais necessitados. Isso inclui as escolas, com infraestrutura sucateada, pessoal já citamos acima, alunos sem motivação e noção do que é educação para a vida.

Na última quarta-feira, 15 de maio de 2019, uma multidão de estudantes e professores foram às ruas protestar contra os cortes e interferências do Governo na educação. Enquanto a população se juntava para protestar a respeito da educação, a esquerda PTista se faz presente com suas pautas egoístas. Ao invés de somar para dar volume, suas bandeiras apenas ajudavam a esvaziar o discurso do protesto, desagregando. A imensa maioria dos presentes, segundo a Folha de São Paulo, não se identificavam com as pautas dos partidários. O que nos revela que a populção média, em geral, não está interessada em ver interferências partidárias com temas outros que não o da educação.

A soma de tudo que descrevi até aqui resulta numa população que foi convencida de que sabe das coisas, mas que é incapaz de interpretar um texto, que relativiza o conhecimento acadêmico e que menospreza o ensino superior. Os excessos em faculdades públicas são condenados, como se nas universidades particulares nada acontecesse, como se os excessos fossem normas, e não exceção. Nos iludimos, achando que o público nunca é bom, mas a iniciativa privada não está muito aí para resolver não, ela visa o lucro e, até onde eu aprendi, a vida não tem preço, mas a educação tem um custo, e este custo deve ser encarado como investimento, sempre, nunca como despesa. Mais que olhar para exemplos de países de fora, precisamos acreditar e investir nos potenciais de nossa nação, sem os quais, a educação perderá sua principal função na sociedade: o progresso e a justiça social.