As lições atemporais de Mises

“Ideias, somente ideias, podem iluminar a escuridão” é conhecida por ser não apenas uma das mais poderosas frases de inspiração para aqueles que desejam lutar no campo de propagação da liberdade, mas também a máxima do grande Ludwig von Mises (1881–1973), o maior expoente da Escola Austríaca da Economia.

Declamada em 1959 quando foi convidado pelo pai de Alberto Benegas Lynch, reitor da Escuela Superior de Economía y Administración de Empresas (ESEADE) e um dos pioneiros do austro-libertarianismo no idioma espanhol, para apresentar uma série de seis palestras na Universidade de Buenos Aires (UBA) a um vasto público formado em sua maioria por jovens estudantes e empresários, a expressão tem presença marcada num dos vários momentos impactantes do sexto capítulo de As Seis Lições: Reflexões sobre Política Econômica para Hoje e Amanhã, relançado no Brasil através da LVM Editora — recém-chegada no mercado brasileiro com o objetivo de publicar em língua portuguesa edições críticas das obras completas de Mises para possibilitar um aprofundamento nos seus escritos.

Organizado pela esposa do autor, Margit von Mises (1890–1993), que conforme expõe no prefácio, encontrou as transcrições dos áudios das conferências em meio aos manuscritos do marido após seu falecimento, o livro costuma ser amplamente indicado como a melhor iniciação ao estudo do pensamento do economista austríaco e, durante a leitura, não é difícil entender o porquê.

Foto: Reprodução / Amazon

A linguagem clara, munida de extrema elegância, consistência teórica e lógica sublime para tratar sobre capitalismo, socialismo, intervencionismo, inflação, investimento estrangeiro e ideias no campo político, tem a rara capacidade de provocar uma atração imediata quase magnética a quem está lendo e, segundo destaca Fritz Machlup (1902–1983), “proporciona um prazer estético similar ao que se origina da contemplação da arquitetura de um edifício bem concebido”.

Edifício esse que, graças ao primoroso conteúdo complementar adicionado com capricho na nova publicação, fornece alicerces sólidos para o surgimento de uma verdadeira elite intelectual orientada pela tradição da Escola Austríaca.

Dentre os materiais especiais, destacam-se uma apresentação do sempre implacável Murray Rothbard (1926–1995), um belo prefácio que exala ternura escrito pelo professor Ubiratan Jorge Iorio e uma introdução de Bettina Bien Greaves sobre a essência da mensagem misesiana, além de um posfácio assinado por Alex Catharino — no qual o irretocável texto não poderia ter título melhor para sintetizar suas palavras: “Menos Marx, Mais Mises”.

Desmistificando a economia tal qual sendo uma “ciência sombria” através de sua transparência didática, o livro ainda carrega um trunfo vantajoso: o senso de atemporalidade presente a cada assunto abordado pelas páginas, cuja urgência se revela colossal para os dias de hoje diante da insistência dos membros do mainstream em tentar manter a hegemonia nos campos de debate.

Muito mais que apenas um mero guia introdutório, As Seis Lições é, na verdade, uma verdadeira referência estratégica obrigatória de como levar a mensagem do livre mercado às massas, sendo o retrato perfeito da tão desejada luz na escuridão dotada do poder de libertar as pessoas do estatismo.