Desvendando as origens da Escola Austríaca

Hoje em dia é possível notar, graças às perseverantes atividades de diversos indivíduos, grupos, institutos e organizações que atuam em prol do avanço da liberdade no Brasil, um crescimento extraordinário do interesse nos ideais defendidos pela Escola Austríaca — fenômeno perceptível principalmente entre os jovens, cansados de serem bombardeados por visões de mundo utópicas.

A maioria desse público novo, e também parte daquele já familiarizado há algum tempo, possui certa tendência habitual de iniciar as pesquisas sobre a singular linha de pensamento através dos escritos de seus autores mais conhecidos, em especial Ludwig von Mises (1881–1973), F. A. Hayek (1899–1992), Henry Hazlitt (1984–1993) e Murray Rothbard (1926–1995), num foco quase exclusivo devido ao conteúdo ainda restrito em língua portuguesa.

Tal cenário não chega a ser uma novidade, e justamente para promover uma mudança significativa no aprendizado geral sobre as origens da firme tradição constituída a partir dos trabalhos desenvolvidos por Carl Menger (1840–1921), Eugen von Böhm-Bawerk (1851–1914) e Friedrich von Wieser (1851–1926), a LVM Editora lança em território nacional O Contexto Histórico da Escola Austríaca de Economia, segundo volume da leva de quinze livros que, conforme anunciado pela empresa por meio da página no Facebook, serão disponibilizados ainda no ano de 2017.

Foto: Reprodução / Amazon

Oferecendo um panorama geral do surgimento e progresso dos ensinamentos austríacos de maneira sistematizada a partir da publicação de Princípios de Economia Política em 1871, obra de Menger responsável por decifrar a subjetividade do valor econômico e explanar a teoria da utilidade marginal — dando início à chamada “revolução marginalista”, Mises promove uma exposição minuciosa e orquestrada dos fatos narrados no decorrer das páginas com bastante acessibilidade e fluidez espetacular, reforçada pelas palavras abarrotadas de um verdadeiro sopro de vida, que possibilitam a imersão profunda do leitor no período retratado.

Outros acontecimentos relevantes, como os vários conflitos com membros da Escola Historicista Alemã — depreciadores severos da importância do papel da teoria, leais entusiastas da acumulação de dados para serviço do Estado e percursores da utilização do termo “Escola Austríaca” numa conotação grosseira— e a contribuição para o aperfeiçoamento da ciência econômica, desafiando a predominância do empirismo no meio intelectual, estão igualmente presentes mediante a usual riqueza linguística sem jamais ficar cansativo.

A seleção de quatro textos imprescindíveis para a composição do material extra é outro ponto destacado pela sua saborosa consistência, formada por uma afetuosa apresentação de Fritz Machlup (1902–1983) sobre a vida e trabalho de Mises, uma introdução assinada por Lew Rockwell a respeito da importância dos austríacos, um prefácio do português José Manuel Moreira que expõe uma ótica particular em relação aos seus mestres e um posfácio no qual Jospeh Salerno analisa a renascença da defesa dos fundamentos elementares na conjuntura contemporânea.

Por fim, além de O Contexto Histórico da Escola Austríaca de Economia se firmar um conteúdo de estudos sofisticado e crucial, é certeiro em reforçar as convicções de que “os governos, os partidos políticos, os grupos de pressão e os burocratas da hierarquia educacional pensam que podem evitar as consequências inevitáveis de medidas inadequadas boicotando e silenciando os economistas independentes”, mas “a verdade, contudo, persiste e funciona, ainda que não reste quem a declare”.