Por que os Escritores Adoram os Gatos?

Para quem escreve e sonha ser um escritor, conhecer a vida pessoal dos escritores e tudo que antecede a publicação é algo excitante e inspirador. Da infância à fase adulta passando pela juventude, o despertar para leitura, o gosto por contar histórias, a rotina de trabalho e até os amores, nos trazem a sensação de transferência de experiência e uma certa intimidade com o escritor. E no meu passeio por essas curiosas vidas me chamou à atenção, a paixão que muitos escritores tem por gatos ( de que eu também compartilho).

Charles Bukowski, Truman Capote, Jorge Luis Borges, Ernest Hemingway, Neil Gaiman, Stephen King, Edgar Allan Poe, Patricia Highsmith, e Julio Cortázar, são alguns dos escritores tiveram e têm gatos. A admiração pelos felinos transcende suas obras.

O escritor Charles Bukowski dizia que quem tem gatos vive mais, a escritora Patrícia Highsmith amava os felinos e dizia estranhar os humanos e Pablo Neruda dizia que todos os animais queriam ser outro animal, mas o gato só quer ser ele mesmo do bigode ao rabo.
Edgar A. Poe confessou que sonhava escrever algo tão misterioso quanto os gatos. O argentino Julio Cortázar revelou que foi nos gatos que encontrou as afinidades que procurava nas pessoas, seu conterrâneo, Jorge Luis Borges declarou sua admiração num poema chamado “A um gato”. Mais longe foi o africano Mia Couto; seu deslumbre pelo bichano começou na infância e sua maior demonstração de amor deu-se na escolha de seu nome profissional, quando decidiu usar o pseudônimo, “Mia”.

Acredito que essa admiração deva-se não só pela graciosidade do animal que encanta a todos, mas acima de tudo por características peculiares. A serenidade dos felídeos e sua habilidade de observar o mundo, algo fundamental na escrita. Segundo Hemingway o gato tem honestidade emocional, não demonstra nada que não esteja sentindo; o que nos remete à famosa frase de Bukowski: não faça nada, a menos que isso esteja te matando e te explodirá se você não colocar pra fora. Em resumo, o gato é isso: uma sinceridade natural, virtude da qual o escritor necessita pra desabafar.

“A um gato

Não são mais silenciosos os espelhos
Nem mais furtiva a aurora aventureira;
Tu és, sob a lua, essa pantera
que divisam ao longe nossos olhos.
Por obra indecifrável de um decreto
Divino, buscamos-te inutilmente;
Mais remoto que o Ganges e o poente,
É tua a solidão, teu o segredo.
O teu dorso condescende à morosa
Carícia da minha mão. Sem um ruído
Da eternidade que ora é olvido.
Aceitaste o amor desta mão receosa.
Em outro tempo estás. Tu és o dono
de um espaço cerrado como um sonho.”

Poema de Jorge Luis borges

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.