Convite: sobre viver meu tempo

“Deus disse: Eu Sou Quem Sou (ou Serei o que Serei, em outras traduções).” (Êxodo 3:‬14)

Um Deus que está no Sempre, por isso, consegue possibilitar o meu agora. E eu que quero viver no Sempre esquecendo do agora. Seria um convite para viver no agora sem pensar em chegar no Sempre?

Um Deus que não tem tempo. E eu que coloco alarme para tudo, não vivo sem minha Google Agenda, penso na hora exata. Seria um convite para abandonar o relógio e viver mais o momento?

Um Deus que é UM com o todo. E eu que sou influenciado pelo todo, vivo no todo, sou fruto do todo. Seria um convite, já que não posso ser UM, para ser único em meio ao todo?

Um Deus que é Eu para possibilitar que exista o Tu. E eu que sou eu, mas me preocupo em viver só para meu eu. Seria um convite para viver mais para o outro?

Um Deus que seu tempo na verdade é um lugar, sua eternidade na verdade é a presença. E eu que me isolo, que prefiro estar sozinho. Seria um convite para deixar a solidão pensada e buscar me relacionar com as pessoas?

Um Deus que está fora do tempo sequencial da terra e criou o afeto entre seres humanos para, num momento de afeto, quebrar o tempo sequencial e sentir como se não houvesse tempo e espaço. E eu que me fecho, me escondo, me saboto: fujo de me relacionar afetivamente com alguém. Seria um convite para ao invés de me fechar, me abrir emocionalmente e afetivamente para alguém?

Um Deus que do nada criou tudo, o que não faz dele só Criador mas também o Tudo. E eu que acho que sou tudo, que quero ser tudo, ter a sensação de ser o tudo. Seria um convite para parar de querer ser tudo, buscar ser nada, para então ter me encontrar com o Tudo?

Convite e tempo em hebraico tem a mesma raiz (aZMaNa e ZeMaN, respectivamente). Convite e tempo se relacionam: Convite é um recado de um tempo que está porvir; Tempo é o momento que temos para viver.

Deus é um Deus de convite, ele anuncia um tempo que estar porvir. Mas Deus também é um Deus de tempo, um tempo que se pode viver agora. O porvir, então, depende de nós.

Por último. Um Deus que não tem forma nem ocupa um espaço determinado. E eu que ocupo um espaço com uma forma. Seria esse convite para me reinventar, transcendendo minha forma no espaço, quando vivo com Ele?

Faço do porvir, o agora.

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