EU E DEUS
me culpo, culpo Ele.

Todo mundo, alguma vez na vida, ouviu como construímos e descontruímos nosso jeito de ser, nosso interesses, nossas vontades, resumindo: o "eu".

Pensemos como alguém que constrói um castelo com blocos de maderia: quando você nasce seus pais lhe dão um castelo pronto, eles determinam o que você faz, pensa e quem você é; na fase da adolescencia é quando quebramos esse castelo, não queremos mais ter o castelo que nossos pais nos deram, começamos então a construção do nosso castelo com as próprias mãos.

E Deus? Onde entra nessa história?

Nos ensinam que temos que orar, aceitar a transformação divina ou qualquer outra coisa relacionada a Deus para saber as peças que devemos usar no nosso castelo, tipo assim: "Deus quer que eu pegue a peça amarela e não a roxa, ou a vontade dEle é a vermelha e não a azul, ou – o pior e mais traumático de todos – o 'plano de Deus para minha vida' exige que pegue o bloco verde e não o laranja".

Se usarmos essa lógica, o que acontece? Sabemos que ninguém é perfeito, ninguém pega sempre os blocos certos na hora certa sem dar um deslize, por menor que ele seja, o que quero dizer é: na construção do seu castelo, algo vai dar errado, alguma peça pode estar errada, alguma hora vc vai repensar se esta ou aquela é realmente necessária. Mas e o "plano de Deus para sua vida"? Vc pensa que estragou tudo. Oras bolas, Deus queria o amarelo e vc pegou o roxo? Mas e se vc orou bastante como pôde ter pego a peça errada? A culpa é de quem? Sua ou dEle? Agora você se culpa por não ter feito a vontade de Deus ou culpa Ele por não ter te ajudado ou ainda culpa os dois ao mesmo tempo e isso resulta em um abandono da fé que você tinha nEle. Mas e ai? De quem é a culpa de tudo isso?

A culpa é de ninguém, essa lógica está errada. Pois é, está se culpando à toa. Pois é, está culpando Deus à toa. Pois é, Deus não é um ditador que tira sua liberdade de viver.

Mas como assim? Por que isso?

Para entender vamos voltar a história do castelo, logo ali no começo. Releiam e percebam quem é o sujeito que se repete nela. Perceberam? O sujeito que se repete é o "eu", não são os blocos. Por que Deus então se preocuparia com as peças? Elas são passageiras, mas você não, você, ou o "eu", está sempre ali na história. Não importa o bloco que você pegará, não importa quantas vezes você construir e descontruir o seu castelo, Deus sempre vai estar com você.

Agora, falando de mim, me vejo com um castelo talvez todo destruído, destruído pela peso da culpa, destruído por não enxergar esse amor que transcende blocos, espaço e tempo. Não sei o que construirei de hoje em diante, mas sei que Deus sempre, sempre mesmo, vai estar comigo, se eu pegar um bloco errado, Ele vai suportar a dor comigo, se pegar um bloco certo, vai potencializar minha alegria. Esse é meu Deus, um amigo que está, sempre, em qualquer situação, comigo.