Pokémon GO

e a corda bamba que separa o virtual do real

Photo by David Grandmougin on Unsplash

Cheguei agora em casa, fui ao mercado comprar uns energéticos porque como diz meu professor: "ninguém se gradua dormindo". O curioso foi no caminho já ver uma galera jogando o tal Pokémon Go, vi dois amigos comentando enquanto andavam olhando o celular, o mesmo com um outro rapaz, outros três amigos também e na fila do caixa, uma moça falava ao telefone sobre o famigerado jogo da captura aos "pocket monsters".

Esse texto, está longe de ser uma crítica ao jogo ou ao fato de " mumificação" que alguns falam, até porque uns dos mestres pokémon que vi no caminho estavam em grupo, e também esse não é a única causa da mumificação, o próprio veículo onde escrevo é um mumificador. Esse texto é uma crítica a mim mesmo, pois voltando para casa eu pensei no quão tênue está a linha entre real e virtual no século XXI, mais do que isso, pensei em como transformei essa linha numa corda bamba na minha vida.

Essa corda bamba que é tão fácil, e já me fez várias vezes, cair: quantas vezes vivi a ilusão que sou atrás de uma tela? Quantas vezes as pessoas que se importaram comigo eu as deixei "morrer" e agora não consigo reinicia-las? Quantas vezes o som nos meus ouvidos foram do Spotify e não da minha mãe, minhas irmãs, amigos, mestres ou qualquer outro ser humano que quisesse falar comigo? Quantas vezes eu que fui a máquina e a máquina me dominou?

Para essas perguntas que agora me incomodam só vejo uma solução, um desafio. Eu me desafio. Esforçar-me-ei para nesse segundo semestre priorizar relações reais à relações virtuais, buscar o que sou longe das telas ou fotos, sempre sorrindo, no instagram. Não estou fazendo um apelo para você não jogar Pokémon GO, pelo contrário, se quiser seja um mestre pokémon, mas estou me desafiando a desconectar-me, se esse texto fez sentido para ti, te desafio também! Tamo junto nessa.


01 ano e 04 meses depois de escrever esse texto, sinto a necessidade de comentar uma coisa.

A melhor coisa que pude fazer foi brincar de equilibrista: fui me aventurar em atravessar a corda bamba. Criar essa distinção brutal entre real e virtual torna-se um peso: o real sempre será falho e o virtual sempre será falso. Entenda que o virtual é mais a sua vida real que você gostaria e o real é mais virtual que você imagina.

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