Por que é tão difícil terminar seus projetos?

O que a gente mais vê atualmente nas redes sociais é aquele monte de gente bem sucedida, o amigo que abriu a start-up, a amiga que tem lojinha online, o primo que abriu foodtruck ou até mesmo aquele conhecido da faculdade que lançou seu primeiro livro — sim, aquele que não fazia nada. E é aí que você pensa: “e eu aqui, contando azulejo do banheiro”.

Se eu abrir minha gaveta de projetos, posso encontrar uns 30, de todos os tipos e tamanhos diferentes. Desde aquele instagram de fotos que comecei bêbado até alguns parágrafos soltos do romance que pensei em escrever quando tomei um pé na bunda.

No começo é sempre aquela maravilha, você todo animado, com uma infinidade de possibilidades a frente, já começa a imaginar: “e se eu ganhasse dinheiro com isso?”, “vai que eu fico famoso”. Afinal, deve ser assim que funciona né?


Ninguém te disse que ia ser fácil.

Nem sempre é assim tão simples — na verdade, nunca é. Mesmo esse textinho aqui, que foi feito exatamente pra quebrar a rotina de planos esquecidos, já rendeu boas horas do dia e duas quase desistências.

Planos tomam tempo, planos bem pensados e bem executados mais ainda. E se tem uma coisa que a gente não esbanja, é tempo. Você tem que estar disposto a dedicar qualquer tempo livre que seja para que isso aconteça, mas as vezes eu prefiro mesmo é dormir ou comer.


Entrego um pouco da culpa à nossa sociedade, porque não podia faltar né. Somos constantemente pressionados a seguir um rumo na vida, a não deixar pequenos planos te ofuscarem do seu grande objetivo, ter uma carreira de sucesso e um montão de dinheiro.

Aprendemos a lidar com a razão, entendemos que sacrifícios são parte de uma jornada e escolhas terão que ser feitas, por mais que muitas — para ser sincero, a grande maioria delas — não nos agradem. Costumamos ouvir dos nossos pais: “Lá na frente você vai entender”, “Quando você crescer, vai me agradecer”.

Tenho muito a agradecer sim, muito mesmo. Mas não posso deixar de notar que fui colocado num molde de cidadão societário que atrofiou o meu senso de diferença. Fui ensinado que, se eu não seguir o “caminho do sucesso”, que geralmente é definido por: escola, faculdade, emprego e família, eu seria um ninguém, um marginal — entenda-se como aquele que vive às margens sociais.

Porém, depois de chegar ao terceiro degrau desse caminho, percebi que, sem as minhas experiências, as minhas vivências, os meus planos, os meus projetos, eu não poderia me diferenciar de ninguém. É realmente muito simples e gratificante fazer parte desse processo industrial, o atrito é mínimo e as recompensas confortantes, mas o maior custo é a sua essência. Você é obrigado a despir a sua identidade por um “bem maior”. Você passa, teoricamente, 8 horas do seu dia cuidando dos problemas dos outros e nem sequer se preocupa com você mesmo.


“Temos que aprender a mergulhar de cabeça, porque só assim vamos entender o quanto a recompensa vai além de coisas palpáveis.”

Temos o vício do medo e da insegurança, fortemente fomentados para que deixemos nossos egos e ismos de lado, a fim de atingirmos objetivos fictícios que, no fim, servem para agradar qualquer um que não seja você. E, de vez em quando, encontramos alguns que não são saciados pela maior recompensa: dinheiro. E são nestes que devemos nos espelhar.

Dificilmente seus projetos vão te trazer fonte de renda logo de cara. E este é o fator mais broxante, geralmente. Mas, deixar tudo em modo avião não vai te aproximar disso. Temos que aprender a mergulhar de cabeça, porque só assim vamos entender o quanto a recompensa vai além de coisas palpáveis. Os nossos feitos são reflexo do nosso caráter — entenda-se como traços relativos à maneira de agir e reagir, um conjunto de qualidades e defeitos — , e nada pode ser mais gratificante que poder ser o autor do primeiro até o último parágrafo de alguma história.

Pra finalizar, vou deixar aqui a referência de um cara que é o maior exemplo de proatividade que eu conheço atualmente: Casey Neistat.

“Qual o objetivo de trabalhar?”

O cara é um produtor de conteúdo que largou a televisão após vender uma de suas produções para a HBO porque achou que poderia conseguir mais e atingir mais. Hoje é considerado um dos Youtubers mais influentes do mundo.