lembre-se de aonde você quer chegar e continue
continue a nadar
repeti para mim mesma como naquele filme que assistia quase que diariamente na fita que ganhei de aniversário. hoje em dia essa coisa de ganhar filme de presente não existe. tem netflix, tem amazon prime, tem hbo e mais um monte de lugar. tudo tá muito rápido. e eu senti essa rapidez na forma como um “oi, qual seu nome” se transformou num encontro e terminou com nosso gemido de agradecimento por fazer o corpo tremer como num abalo sísmico.
e as relações refletem a rapidez que corre entre uma tela e outra
a gente se amou
se tocou
fez planos que casais de dez anos de comprometimento fazem
e nos despedimos
porque, no nosso entendimento,
na nossa criação,
amor também é sobre esquecer
amar também é saber a hora de ir embora
e me atrevo a dizer que só ficamos tanto tempo juntos por teimosia porque deus tocava meu ombro esquerdo e me perguntava “é isso que você quer?” e eu respondia que sim, sabendo que era egocentrismo meu te ter porque até então você não era meu. entende como chega a ser doentio amar a ponto de querer ter posse? e você consegue vez a rapidez com que deixamos alguém entrar? eu nem tinha passado vassoura na casa e você já estava tirando as meias para pisar nas tábuas corridas de madeira.
a casa também era sua um tempo depois
nós corríamos para nos encontrar
e adiávamos a despedida
porque ela já era certeira.
o amor também te ensinou a dizer adeus?
