Como me tornei uma Community Leader.

No início, a única coisa que eu queria era um emprego mais perto de casa! Eu trabalhava há 40km de casa, não tinha carteira de motorista (nem carro) e “perdia” 5h do meu dia no trajeto casa-trabalho.

Exausta com essa rotina, comecei a procurar boas oportunidades em Betim. Eu tinha experiência com captação de recursos para startups: realizando a redação de projetos para submissão em editais de fomento à inovação e realizando a gestão do projeto aprovado. Moro em um pólo industrial, acreditei que várias empresas teriam projetos inovadores engavetados por falta de recurso e estariam prontas para fazer negócio comigo!

Grande engano! Procurei por meses e não achei nenhuma empresa com projetos inovadores. As pouquíssimas que tinham centros de P&D eram fechadas demais para as oportunidades do ecossistema de inovação. Tambem não encontrei nenhum evento de inovação na cidade, nenhum hackathon ou Meetup, nada de network, nenhum movimento nas universidades, nenhum TEDx. Realmente, NADA relacionado à inovação acontecia em Betim.

Foi uma decepção, fato. Tenho filhos, gostaria que eles vivessem em uma cidade com oportunidades. Eu precisava fazer alguma coisa para transformar aquela realidade — só não sabia o que, ainda! Comecei a pesquisar sobre San Pedro Valley, Santa Rita do Sapucaí, Itajubá, Uberaba e outros ecossistemas de inovação que eu admirava. Aliás, comecei a entender - naquele momento - o que eram ecossistemas de inovação: governo, instituições de ensino, empresas e comunidade atuando, de maneira colaborativa, para a criação de um ambiente favorável à inovação.

Para a criação desse ambiente, vi que cinco pilares deveriam orientar as ações: cultura, talentos, densidade, capital e leis. Uau! Com base nesses pilares, comecei a realizar um diagnóstico do município que culminou em um projeto chamado Inova Betim: focado no desenvolvimento do ecossistema de inovação do município.

Com o projeto impresso embaixo do braço e com “a cara e com a coragem”, fui bater na porta da Prefeitura Municipal — um dos principais atores de um ecossistema. E o universo conspirou a favor! Fui recebida por um secretário totalmente aberto ao movimento de inovação que eu estava propondo e por um prefeito visionário e empreendedor. Eles me conectaram ao Estado e, então, fui chamada a fazer parte de um programa chamado Difusão Minas Digital. Pude conhecer pessoas que estavam fazendo o mesmo movimento que eu propunha, em outros municípios de Minas Gerais — essa galera compartilhou comigo estratégias, boas práticas e me ensinou o significado do “giveback/givefirst” para o desenvolvimento de uma comunidade forte e sólida.

Um tempo depois, fui chamada para assumir as ações ligadas à Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo na Prefeitura de Betim. (E, finalmente, consegui trabalhar perto de casa)

Desde que comecei a trabalhar com o desenvolvimento do ecossistema de inovação em Betim, tive a oportunidade de conhecer iniciativas fantásticas que já aconteciam na cidade (e eu achando que nada acontecia aqui), pude somar a essas iniciativas e propor tantas outras! Pude conhecer pessoas tão incomodadas quanto eu, dispostas a ajudar na construção desse ecossistema. Muitos empresários dispostos a doar seu tempo e seu dinheiro em prol do fortalecimento do nosso ecossistema. Muitos talentos do Brasil e fora dele, pessoas importantes que reconhecem a importância da inovação e do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico e social do território. Foi muito trabalho neste um ano de Inova Betim! E ainda temos muito a fazer.

Obrigada, comunidade Fênix, por retribuir com brilho nos olhos as loucuras que eu proponho (também com muito brilho nos olhos). Seguimos juntos, INCOMODADOS E INQUIETOS, para transformar Betim em uma cidade com mais oportunidades para todos nós, através da inovação e do empreendedorismo. Gratidão eterna por me ajudarem a encontrar o meu caminho.