Eu sou uma heroína de Jane Austen e você também é!

Hoje faz 200 anos que nos despedimos de Jane Austen. Eu tive o primeiro contato com as obras da autora quando tinha 10 anos. O primeiro livro que li foi “Orgulho e Preconceito”. Não, eu não me encantei com Mr. Darcy, me encantei com Elizabeth Bennet. Afinal, ela era independente, tinha fortes opiniões e não seria humilhada por sua classe ser considerada “inferior”.

Em geral, os autores que nunca caem no esquecimento têm uma forma única de ver o seu tempo e na maioria das vezes estão à frente dele. Austen prova isso quando, coloca mulheres no mesmo patamar de inteligência que os homens em pleno século 19! Diversas vezes, outros personagens acreditam que suas heroínas são impertinentes e atrevidas, mas não pensariam isso se um homem tivesse o mesmo comportamento.

Já ouvi opiniões, desprovidas de embasamento, que seus romances são apenas tramas que tem como desfecho o casamento ideal, mas eles são mais do que isso. Com Austen, você entende como era a elite inglesa do século 19 e como a burguesia, em um contexto geral, — seja inglesa, russa, ou francesa — é parecida. Os livros de Liev Tolstói, Gustave Flaubert e Honoré de Balzac são um parâmetro para essa comparação. Acreditem, Jane Austen mostra uma forma de luta de classes.

Abaixo, agradeço a todas essas personagens, feministas para sua época, pelos ensinamentos proporcionados:

Elizabeth Bennet — seja forte. Tenha opiniões firmes e só se case por amor verdadeiro. Ainda admiro sua coragem de casar com alguém de uma classe muito distinta, acho que não faria isso.

Anne Elliot — deixar de viver o amor da sua vida te tornará uma pessoa amarga. Não faça isso, mas saiba que se fizer com o tempo ele provavelmente retornará.

Emma Woodhouse — sempre é importante reconhecer qualquer tipo de privilégio que você tenha. Às vezes, erramos quando tentamos ajudar demais na vida dos outros.

Marianne Dashwood — fique longe de homens e relacionamentos abusivos. As pessoas realmente adoecem por amor (ela me lembra Catherine de “O Morro dos Ventos Uivantes).

Elinor Dashwood — apesar de todo o amor do mundo, devemos sempre ter bom senso.

Fanny Prince — cuidado com famílias ricas. Nunca permita que pessoas invejosas contaminem seu coração.

Catherine Morland — seja sempre apaixonada por romances e fantasias, isso deixará a vida mais leve. Não se abale pela sua classe social.