Uma funcionária asiática esticava cordas num escritório

da capital dedicado à rectidão.

Esticava o vínculo e a balança em dó maior em busca do

equilíbrio do pêndulo. Exausta de puxar cordas desatando

nós, começou a tecer uma roda imaginando um pássaro a voar.

Limpava o suor esticava a corda e rodava esticava as asas

da ave até já não conseguir sonhar.

Tudo o que fazia com esmero e dedicação era censurado.

Houve quem dissesse “querem cortar-lhe as pernas” e ela

a funcionária dizia: mas como? Se eu parar de esticar o erro é certo

o pêndulo cai. Continuou no seu ofício até que um dia por razões

kafkianas uma voz infelizmente superior lhe ditou uma sentença:

- Você foi acusada de esticar demasiado corda, não terá classificação!

E a sua conduta servirá de mau exemplo a todos os que, ao serviço

do pêndulo, têm que puxar a corda o mínimo possível para que a balança

se mantenha sempre a favor de quem manda.

C, 15–08–2017, Gisela Gracias Ramos Rosa

Fotografia de Takashi Suzuki