coisas que eu não te disse #3

hoje eu acordei mais cedo e fiquei te olhando dormir. Os fiozinhos ruivos perdidos na tua barba, tua cicatriz no ombro, tuas pintinhas no braços, teus traços. Observei tudo tão devagar porque te montando em detalhes era o único jeito de te ter mais perto. E foi naquela fração de segundo daquela sexta feira à noite quando você me disse que ia embora e eu repeti pra mim mesma que tudo bem, a gente não tinha nada mesmo, vai ser tranquilo. Não foi.

Eu senti aquele aperto que a gente só sente quando gosta (será?) e ainda não entendi o que significa. Você esteve aqui e ali por tanto tempo que eu me acostumei a te ter sem te ter. Mesmo você criando essa barreira gigante entre a gente, quando eu to deitada no sofá da sua sala com as pernas entre as suas eu me sinto em casa.

Confesso que eu já quis muito que a gente desse certo. Não do jeito que a gente já dava. Mas que talvez houvesse algo mais ali. Só que aquele muro sempre foi tão grande. Que eu nem tentei. Mas quis.

É difícil até escrever esse texto. A cada palavra que eu escrevo eu fico apavorada com a ideia de você chegar até ele. Esse é o tamanho do medo que eu tenho de ultrapassar a barreira que você criou.

Mas se chegar queria dizer que eu gosto do jeito que você fica com o rosto pertinho do meu quando acorda e que eu odeio dormir de conchinha mas eu durmo só pra ficar mais pertinho de você. Não é paixão. Mas a verdade é que eu não sei o que é. Se um dia eu descobrir pode deixar que eu não te conto. Se cuida.

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