Viajar com um propósito é enriquecedor

Viajar é muito bom, mas viajar com um propósito é enriquecedor. Antes de tomar a decisão de morar nos USA em 2003 e na Itália em 2009, coloquei o meu propósito de estudar e aprender uma nova cultura no topo da lista, planejei, guardei dinheiro e foquei no meu objetivo sem dar “ouvidos” a várias opiniões.

Quem nunca ouviu a frase …“o que os olhos não vêm, o coração não sente”, essa frase é válida para muitas pessoas e para mim não poderia ser diferente. Estar nos lugares que planejei, e se permitir sentir diversas emoções. Posso dizer que a emoção que senti ao chegar no aeroporto JFK de Nova York foi totalmente diferente de quando cheguei no aeroporto de Malpensa em Milão. Conhecer novas culturas é estar disposta a mudanças, a respeitar o novo sem querer trazer os antigos hábitos com você.

Ah, a coragem! Sim, você precisa de uma boa dose de coragem para seguir com seus objetivos, pois o importante é realizar. “Ter coragem não é ausência de medo é resistência ao medo”

Eu sempre falo que morar fora não é para todos, alguns nascem para esta “aventura” de descobertas, outros vão por necessidade e outros, simplesmente não abandonam o seu “conforto” para viver uma nova cultura em um outro país.

As minhas experiências foram especiais, em cada uma o aprendizado foi além do esperado, trouxe na bagagem maravilhosas histórias e recordações que um dia poderei contar e também inspirar meus filhos e netos.

Nos Estados Unidos da América (USA), morei durante 4 meses na Philadelphia, fiz o intercâmbio de estudantes, estudei e trabalhei no período que estive lá. Na época, era obrigatório o estudante fazer o teste de inglês nas agencias autorizadas, pagar algumas taxas para a obtenção do J1, e em alguns casos ir no Consulado Americano em São Paulo para obtenção do visto.

Com a queda das torres gêmeas em setembro de 2001, a obtenção do visto era para poucos, e isso tornava o desafio ainda maior. Conseguir o visto foi de imensa alegria, talvez foi sorte ou estava no meu destino e agarrei a oportunidade sem pensar nos obstáculos que estariam por vir.

Chegar em Nova York (NY) naquela manhã gelada de 06 de dezembro de 2002, era uma mistura de fantasia e admiração, tudo que eu tinha visto nos filmes eu estava vendo ao vivo e a cores, eu ainda consigo lembrar daquele sentimento de realização. Eu estava acompanhada com uma amiga, sabíamos que daquele dia em diante teríamos 4 meses de muita parceria pela frente, praticamente 24h juntas.

Na Philadelphia, estudávamos no período da manhã e trabalhávamos no período da tarde e noite. Eu tinha que fazer valer a pena, além de estudar, eu queria conhecer outras cidades, provar diversos sabores, e fazer shopping é claro, não dá para negar que nos USA é prazeroso comprar, são inúmeras as vantagens. Lembrando, que temos uma cota para bagagem no transporte aéreo que é importante respeitar, assim evitamos “surpresas” no retorno ao Brasil.

Foram algumas idas a NY, passeio pelo Brooklyn e Manhattan, brincadeiras na pista de gelo no Central Park com direito a músicas que estão na memória. A virada do ano gelada na Philadelphia. O primeiro do ano na cidade de Washington D.C. que nos surpreendeu em todos os sentidos, o inesquecível museu da Nasa, imagino que agora esteja ainda mais interessante.

Dividimos apartamento com vários estudantes de diversos países (Austrália, Peru, Chile, Argentina), fizemos muitas festas juntos, e nos dias de nevasca (alerta laranja), que tínhamos que ficar em casa, fazíamos um super café da tarde.

Tudo era muito divertido, inclusive as malas por toda parte, colchões de ar, “bagunça” nos apartamentos. Estávamos lá pelos mesmos motivos, queríamos aprender a cultura local, o idioma, e aproveitamos intensamente cada minuto, todos os dias. Isso nos dava a impressão de estarmos muito tempo morando lá, a saudade da família e amigos era algo que tínhamos que saber lidar, estávamos felizes e sabíamos que a nossa moradia em território americano tinha data para acabar. Foram algumas despedidas durante o período, o início das aulas fez alguns estudantes retornarem antes de nós.

Em março, estávamos em menos estudantes, mas isso não impediu que o meu aniversario fosse especial. Minha amiga, parceira de todos os momentos, fez um bolo repleto de mms, passamos o dia nos divertindo no 3 maior shopping do USA, e no final do dia fui recepcionada por uma surpresa linda de amigos americanos, com direito a mais bolo, balões, ursinhos e presentes.

O dia do nosso retorno chegou, na nossa ida para o JFK, vimos alguns tanques de guerra nas ruas de NY, helicópteros sobrevoando a cidade, as ameaças de novos ataques deixavam todos assustados, e para quem estava pensando em ficar mais 2 meses (6 meses no total), eu só pensava em pegar o voo tranquilamente e sem sustos. O voo atrasou, e para piorar tinha neblina quando chegamos no Brasil, ficamos 3 horas dentro do avião no aeroporto de Campinas, depois fomos para o aeroporto de Guarulhos onde fui recepcionada com uma surpresa de um amigo que não poderia deixar de mencionar, e sem muito tempo tivemos que “correr” para o aeroporto de Congonhas para pegar o voo para Floripa.

A volta também foi “emocionante”, consegui deixar meus pais desesperados pois no aeroporto Hercílio Luz eles não sabiam informar o que tinha acontecido com alguns passageiros do avião das 10h, e chegamos somente às 14h, ufa!

Com alguns quilinhos a mais, muitas histórias para contar, experiências incríveis, felizes e realizadas voltamos a rotina universitária.

A experiência de morar na Itália, vou ter que contar no próximo artigo pois foi fantástica, non dimenticherò mai (não esquecerei jamais).

Para encerrar este artigo, gostaria de agradecer aos leitores, espero ter despertado em vocês a coragem de seguir com o que te faz feliz, o que te realiza, e com aquilo que alguém jamais vai tirar de você…o conhecimento.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amyr Klink