A falta que você faz quando não deveria fazer

Faz falta.
Sua ausência, incessante: me sobe e entorpece um medo
Forte, de te perder
Embora você nem sequer esteja ao meu alcance
De vista, de tato. Ao meu lado.
Sonho tanto com poder te acomodar
Prender seu corpo ao meu
Possuída pela vontade de te possuir, toda minha
Como você não é. E nem nunca foi.
Eu sinto a espera em te poder admirar de novo
O que é só espera de dor
É sempre a sua chegada que antecipa a sua partida
Ainda que eu te assista dar meia volta milhares de vezes
Cada retorno seguinte machuca mais do que o anterior
Cada calada de voz despede em contato o nosso sorriso
Nosso abraço ecoa no mesmo e exato tom do nosso silêncio
Por fim, me invade a necessidade de te confessar: que eu te amo
Palavras que só cortam, me machucam e se expandem ao vento
Você, quando escuta, pouco lembra, pouco entende
Não falamos a mesma língua há um bom tempo.
