A falta que você faz quando não deveria fazer

giulia de brito
Nov 7 · 1 min read


Faz falta.

Sua ausência, incessante: me sobe e entorpece um medo

Forte, de te perder

Embora você nem sequer esteja ao meu alcance

De vista, de tato. Ao meu lado.

Sonho tanto com poder te acomodar

Prender seu corpo ao meu

Possuída pela vontade de te possuir, toda minha

Como você não é. E nem nunca foi.

Eu sinto a espera em te poder admirar de novo

O que é só espera de dor

É sempre a sua chegada que antecipa a sua partida

Ainda que eu te assista dar meia volta milhares de vezes

Cada retorno seguinte machuca mais do que o anterior

Cada calada de voz despede em contato o nosso sorriso

Nosso abraço ecoa no mesmo e exato tom do nosso silêncio

Por fim, me invade a necessidade de te confessar: que eu te amo

Palavras que só cortam, me machucam e se expandem ao vento

Você, quando escuta, pouco lembra, pouco entende

Não falamos a mesma língua há um bom tempo.